Arrepios n”A mesma ‘Pele'”

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Arrepios n”A mesma ‘Pele'”

No primeiro dia de março, em jeito de quem celebra a diversidade, esteve em palco “Pele”, um espetáculo inclusivo que contou com a participação de mais de 80 artistas, incluindo clientes e colaboradores da Cercigui e os alunos de dança do Agrupamento de Escolas da Abação.

“O espetáculo pretende explicar várias partes da vida de qualquer pessoa. Começou com a união entre duas pessoas, terminou na morte e como tudo acaba tudo também começa e não podemos chamar morte mas sim renascimento. Foi o nascimento, a infância, a juventude, a fase adulta e depois toda a gente se juntou nesse renascimento”, explica.

A ideia deste momento final catártico, em que todos diziam em uníssono, “A mesma pele” teve como intenção transmitir que “que nos apoiámos uns aos outros”, independentemente das características de cada pessoa e esta união “resulta de uma força maior”.

A mais recente criação da Cercigui subiu ao palco do grande auditório do Centro Cultural Vila Flor (CCVF) e contou com uma casa cheia de agitação, mas também de expetativa, no fechar das cortinas, cumprida. “Não tenho palavras. A emoção começa nos ensaios a trabalhar com eles, ainda mais emoção quando o dia se está a aproximar. Eles ficam em pulgas e nós temos sempre que transmitir muita tranquilidade de maneira a que eles também fiquem tranquilos”, refere o produtor João Rocha no camarim, no final do espetáculo.

Emoções “fresquinhas” que manifestam o quão marcante foi criar este espetáculo. “O resultado foi muito positivo, eles ficaram muito contentes, mesmo no palco conseguimos acertar os tais imprevistos de maneira a que não quebrasse o ritmo do espetáculo e de uma maneira geral correu muito bem”, considerou João Rocha.

A coreografia, a música e a cenografia de “Pele” foram, originalmente, criados para este espetáculo que se manifesta um exemplo de acessibilidade para diferentes perfis de público. “O fator de acessibilidade nas salas de espetáculo é muito importante para nós”, comentou João Rocha. A verdade é que este foi o primeiro espetáculo do CCVF que contou com informação em braille, leitura fácil em pictogramas, interpretação em Língua Gestual Portuguesa e audiodescrição.

Este espetáculo de arte inclusiva foi totalmente produzido e encenado pela Cercigui. Houve quem já pudesse assistir à estreia desta criação artística cheia de movimento, música, vídeo e imagem, cofinanciado pelo Programa de Financiamento a Projetos do INR, no dia 03 de dezembro, Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. Agora voltou a pisar o mesmo palco e voltou a fazer história e a instituição tem como ambição levar este exemplo de inclusão dentro e fora de cena a outros palcos do país.

“Nós agora vamos fazer um documentário e depois apresentar quem sabe para fazer o mesmo projeto noutras cidades. Levar um bocado isto por aí fora. Existem mais pessoas, mais ideias e essa é a mais-valia do projeto – transformar-se um bocado – mas o conceito inicial vai manter sempre”, garante o produtor.

Todos os colaborares, clientes e amigos da Cercigui no final ficaram “com o coração cheio, arrepiados de emoção” e com “um orgulho enorme de quem, ao longo de meses, preparou este grandioso evento para o poder partilhar com todos”. “Está aqui muito amor, muita entrega, mas acima de tudo, muita alegria, bem visível nos rostos dos principais protagonistas”, pode ler-se na página do Facebook da instituição.

“Foi lindo! Movimento, arte, dança, vídeo e imagem. Uma tarde onde tudo isto nos fez arrepiar a PELE!” resume a Cercigui numa publicação das redes sociais acerca do resultado do projeto que parte de uma ideia de Joana Antunes e tem como conceito “a idealização de transcender o próprio significado da Pele, como representação de todo o ser humano”.

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