Governo vai criar agência de emprego para pessoas com deficiência

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Governo vai criar agência de emprego para pessoas com deficiência

O desemprego de pessoas com deficiência cresceu devido à crise epidemiológica por covid-19 e, nesse sentido, a secretária de Estado para a Inclusão, Ana Sofia Antunes, anunciou, numa entrevista ao jornal Público que “está na hora” de criar uma agência de emprego para pessoas com deficiência.

O número de inscritos nos centros de emprego antes da pandemia estava abaixo dos 12 mil, mas durante este ano aumentou “consideravelmente”. “À semelhança do que aconteceu com os números do desemprego em geral. Neste momento já estamos novamente próximos dos 13 mil inscritos”, revela Ana Sofia Antunes na entrevista ao Público.

A par da aposta nas acessibilidades, a secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência assume o compromisso de investir num programa de apoio à empregabilidade para criar “investimentos adicionais não apenas das medidas de apoio ao emprego do Instituto de Emprego e Formação Profissional [IEFP], mas também incentivos às empresas para contratarem pessoas com deficiência”. Ou seja, além de “repensar algumas medidas que existem para reforçar apoios, nomeadamente o contrato de emprego apoiado em mercado aberto”, Ana Sofia Antunes considera importante a criação de “majorações mais dignas” ao nível das medidas já existentes. “Por exemplo, se dou um apoio a alguém que contrata uma pessoa sem deficiência, devo dar esse apoio acrescido de uma percentagem considerável, se contrata uma pessoa com deficiência”, refere.

A grande novidade revelada na entrevista prende-se com a intenção de “apoiar as pessoas que andam à procura de emprego” e para o efeito está a ser desenhada uma resposta para colocar no terreno no primeiro trimestre de 2021 e que envolve a parceria Santa Casa da Misericórdia de Lisboa com o Instituto Nacional para a Reabilitação e o IEFP.

“É um trabalho a três para que possamos fazer isto acontecer: o encontro entre pessoas que andem à procura de emprego e empresas que tenham vagas abertas ou estejam dispostas a abri-las para estas pessoas”, esclarece.

Embora a primeira equipa desta nova resposta esteja a trabalhar em Lisboa, Ana Sofia Antunes garante que a intenção desta iniciativa é dar resposta a todo o país.

“Numa primeira fase, provavelmente vamos estar a responder mais a Lisboa, mas vamos receber candidaturas de todo o país e vamos fazer avaliações em todo o país”, começa por explicar. “Às vezes, é preciso sinalizar, trabalhar as pessoas, porque já desistiram de procurar, as famílias que não acreditam. É preciso fazer o encontro com a empresa adequada para receber essa pessoa e fazer o acompanhamento. As empresas sentem alguma insegurança. Terem alguém que podem contactar no caso de haver dúvidas ou problemas é importante”, acrescenta.

A secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência considera que a melhor maneira de ultrapassar a “natural resistência para aceitar o que é diferente” é através de “um trabalho mais porta a porta”. “Por telefone não consigo convencer um empresário que não está para aí virado a contratar uma pessoa com deficiência. Tenho de ir lá, de me sentar à frente dele. Muitas vezes, tenho de o levar a conhecer a pessoa com deficiência para que perceba de quem estamos a falar, o que consegue fazer, o que não consegue. Só assim é que lá chegamos”, termina.

Pode ler a entrevista na íntegra AQUI

 

 

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