{"id":1827,"date":"2020-12-16T17:37:35","date_gmt":"2020-12-16T17:37:35","guid":{"rendered":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/?p=1827"},"modified":"2020-12-16T18:37:40","modified_gmt":"2020-12-16T18:37:40","slug":"um-peregrino-da-poesia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/?p=1827","title":{"rendered":"Um peregrino da poesia"},"content":{"rendered":"<p>Manel de Alecrim \u00e9 o poeta que escreve sobre a inquieta\u00e7\u00e3o do amor e a forma como v\u00ea o mundo que o rodeia. Andr\u00e9 Ferreira \u00e9 o jovem que d\u00e1 corpo a este pseud\u00f3nimo e que gostaria de ver publicados os poemas \u2013 s\u00e3o mais de cem organizados em tr\u00eas obras, prontos para que este sonho se transforme em realidade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Escreve desde os 15 anos, mas gra\u00e7as ao servi\u00e7o de assist\u00eancia pessoal que passou a usufruir no \u00e2mbito dos projetos piloto do Modelo de Apoio \u00e0 Vida Independente (MAVI)\u00a0o jovem tem vindo a desenvolver cada vez mais a veia po\u00e9tica. \u201cEu conheci o Andr\u00e9 e a sua fam\u00edlia em setembro. Percebi logo que s\u00e3o uma fam\u00edlia unida e muito centrada numa atitude positiva\u201d, constata o assistente pessoal, Jo\u00e3o Miranda.<\/p>\n\n\t\t<style type=\"text\/css\">\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-1827 gallery-columns-3 gallery-size-large'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/?attachment_id=1840'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"868\" height=\"665\" src=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/familia.jpg\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/?attachment_id=1841'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/familia01.jpg\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/?attachment_id=1843'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pai.jpg\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>Andr\u00e9 Ferreira n\u00e3o fala e tem baixa vis\u00e3o. Conta com a fam\u00edlia e com o assistente pessoal para transpor para o papel os poemas que cria e os contos que come\u00e7ou a desenvolver. \u201cEle sempre disse umas frases interessantes, mas escrevia pouco e agora quando entrou o F\u00e1bio, o primeiro assistente pessoal, \u00e9 que nos lembramos de come\u00e7ar a escrever as coisas\u201d, conta Fernanda Abreu. \u201cJ\u00e1 tenho tr\u00eas livros\u201d, traduz a m\u00e3e. \u201cEle tira fotoc\u00f3pias porque eu n\u00e3o tenho poder financeiro para public\u00e1-los\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia consegue compreend\u00ea-lo e tamb\u00e9m Jo\u00e3o Miranda arranjou uma forma de comunicar com o cliente do Centro de Apoio \u00e0 Vida Independente da P\u00f3voa de Lanhoso. Utiliza o abeced\u00e1rio para descobrir as palavras e transform\u00e1-las em frases que correspondam ao que o Andr\u00e9 pensa e gostaria de transmitir, tanto nos poemas como nas conversas com as pessoas. \u201cEle chegou a fazer r\u00e1dio, ele era muito comunicativo\u201d, sublinha a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Ferreira tem um tumor cerebral diagnosticado a 17 de dezembro de 2007. Tinha sete anos e aos oito foi operado, foram feitas an\u00e1lises \u201cpara saber que tipo de tratamento o Andr\u00e9 iria fazer mas \u201cn\u00e3o deu para remover o tumor\u201d. \u201cOs m\u00e9dicos pensavam que o Andr\u00e9 tinha neurofibromatose, uma defici\u00eancia no cromossoma 17 que provoca excesso de tumores que se alojam normalmente no c\u00e9rebro\u201d, come\u00e7a por explicar a m\u00e3e, Fernanda Abreu. \u201cFez quimioterapia durante ano e meio e o tumor estabilizou\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Foi um per\u00edodo particularmente dif\u00edcil porque o Andr\u00e9 permaneceu esse tempo em casa e s\u00f3 regressou \u00e0 escola no 5.\u00ba ano. \u201dMas entretanto o tumor aos 14 anos voltou a desenvolver-se e iniciou novamente o processo de quimioterapia\u201d, lembra a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Manel de Alecrim \u00e9 apaixonado. Rendido \u00e0s paix\u00f5es da vida e da juventude, encontra no amor rom\u00e2ntico a inspira\u00e7\u00e3o que precisa para mentalmente desenrolar os poemas que cria. \u201cH\u00e1 sempre algu\u00e9m, h\u00e1 sempre algu\u00e9m. H\u00e1 sempre uma musa inspiradora\u201d, comenta a m\u00e3e que acrescenta, traduzindo o que o filho diz, que h\u00e1 uma mi\u00fada que estudou com o Andr\u00e9 \u201cdo quinto ao nono que o inspirou muito\u201d.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Ferreira \u00e9 obstinado. A obstina\u00e7\u00e3o que o fez, depois de um ciclo de quimioterapia, completar a p\u00e9 em 11 dias o Caminho de Santiago \u00e9 a mesma que o fez recusar, por diversas vezes, os ciclos semanais de tratamento por quimioterapia. \u201cO Andr\u00e9 decidiu fazer uma coisa que eu nunca quis que ele fizesse que era radioterapia porque eu sabia que ele ia ficar com estas sequelas e a\u00ed \u00e9 que piorou muito. Deixou de ver, deixou de falar, deixou de andar\u201d, lembra Fernanda Abreu.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o est\u00e1s arrependido?, pergunta a m\u00e3e. \u201cAssim ele sabe como \u00e9\u201d, ajudou a irm\u00e3 Joana Ferreira a traduzir o que o Andr\u00e9 estava a tentar dizer. \u201cBateu com a cabe\u00e7a, fez galo e agora sabe que tem ali parede\u201d, resumiu Fernanda Abreu. \u201cMas ele \u00e9 a extens\u00e3o de n\u00f3s, como m\u00e3e d\u00f3i muito\u201d, comenta. \u201cAgora \u00e9 trabalhar as sequelas\u201d, atira.<\/p>\n<p>Tinha 19 anos e conseguiu recuperar a marcha mas Fernanda Abreu tem dificuldades em avaliar o n\u00edvel de comprometimento da vis\u00e3o do filho: \u201cEle \u00e0s vezes n\u00e3o consegue ver um cami\u00e3o \u00e0 frente dele, outras vezes consegue ver os olhos azuis de algu\u00e9m\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das massagens de relaxamento e da acupuntura, a m\u00e3e do Andr\u00e9 admite que usa canabidiol para reduzir as convuls\u00f5es de epilepsia do filho, provocadas ou pelo crescimento do tumor ou pelos tratamentos. \u201cEu neste momento estou a dar-lhe uma coisa que n\u00e3o \u00e9 legal, mas funciona\u201d, assume.<\/p>\n<p>Embora esta m\u00e3e n\u00e3o se sinta apoiada nesta pr\u00e1tica terap\u00eautica pela medicina convencional, que manifesta ainda muitas reservas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do \u00f3leo de canabidiol (CBD) para fins terap\u00eauticos, o uso medicinal dos derivados de can\u00e1bis j\u00e1 est\u00e1 regulamentado e j\u00e1 aparece no site do Infarmed.<\/p>\n<p>Existem muitas d\u00favidas sobre a utiliza\u00e7\u00e3o dos derivados da can\u00e1bis, mas Fernanda Abreu n\u00e3o tem nenhuma em rela\u00e7\u00e3o aos benef\u00edcios vis\u00edveis no filho. \u201cO Andr\u00e9 esteve internado em julho para fazer a avalia\u00e7\u00e3o das crises e n\u00e3o pudemos deixar o frasco durante 24 horas. Conclus\u00e3o: o relat\u00f3rio que me deram foi que o Andr\u00e9 teve 32 crises nessas 24 horas\u201d, descreve.<\/p>\n<p>J\u00e1 fazem reiki h\u00e1 11 anos e fica contente por saber que os hospitais t\u00eam vindo a autorizar a utiliza\u00e7\u00e3o desta terapia nos doentes oncol\u00f3gicos. \u201c\u00c9 menos uma batalha que tenho que travar porque no in\u00edcio era conotado como bruxarias, o oculto e as pessoas n\u00e3o percebem que somos um todo e estamos todos conectados por v\u00e1rias liga\u00e7\u00f5es. E que \u00e0s vezes d\u00f3i-nos o bra\u00e7o porque h\u00e1 certas e determinadas coisas que o nosso cora\u00e7\u00e3o e a nossa alma n\u00e3o quer que fa\u00e7amos e continuamos a fazer\u201d, explica. \u201cReiki \u00e9 amor, mas ele n\u00e3o quer que eu lhe fa\u00e7a\u201d, lamenta Fernanda Abreu. Andr\u00e9 interrompe: diz que gosta de fumar e assume que \u00e0s vezes se sente mais calmo quando fuma. Mas a m\u00e3e corrige: \u201cSabes que isso \u00e9 o que tu pensas, n\u00e3o \u00e9 o que acontece. Porque quando fazes reiki ficas muito mais calmo\u201d.<\/p>\n<p>O Andr\u00e9 e a m\u00e3e chocam muito. A proximidade e o conv\u00edvio permanente assim o ditam. \u201c\u00c9 a nossa quarentena h\u00e1 12 anos. N\u00f3s choc\u00e1mos com quem n\u00f3s am\u00e1mos mais\u201d, confirma Fernanda Abreu. \u201cNeste momento, que acabou a quimioterapia e por causa da pandemia, tem que ficar mais recolhido, mas o Andr\u00e9 \u00e9 um mi\u00fado e precisava de sair, estar com os amigos e fazer atividades adaptadas a ele. Porque o contacto com outras pessoas era importante para o crescimento pessoal dele\u201d, considera a m\u00e3e.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cAgrade\u00e7o muito ao CAVI da P\u00f3voa de Lanhoso porque \u00e9 a \u00fanica liga\u00e7\u00e3o que tem \u00e0 sociedade, se n\u00e3o era 100% n\u00f3s e assim pelo menos uma tarde por semana n\u00f3s conseguimos descansar um bocadinho e isso \u00e9 importante\u201d, explica a m\u00e3e.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>O pai de Andr\u00e9 Ferreira tamb\u00e9m tem problemas de sa\u00fade. Depois de um transplante dos rins mal sucedido \u00e9 com a hemodi\u00e1lise que encara a \u201cbatalha\u201d com estes \u00f3rg\u00e3os que teimam em n\u00e3o funcionar.<\/p>\n<p>Fernanda Abreu diz que a fam\u00edlia se distancia quando algu\u00e9m fica doente. \u201cAs pessoas n\u00e3o sabem lidar com os problemas dos outros e ent\u00e3o \u00e9 melhor afastar-se. Se eu vejo-te a ti com a doen\u00e7a, eu n\u00e3o quero estar ao p\u00e9 de ti porque n\u00e3o quero ver tristeza\u201d, contextualiza. A conviv\u00eancia com os outros pais nos corredores dos hospitais \u00e9 fundamental para compreender que este afastamento \u00e9 comum e que a no\u00e7\u00e3o de empatia muda. \u201cPassamos a ser mais solid\u00e1rios com aqueles que nos querem bem\u201d, diz.<\/p>\n<p>Estes anos de partilha de dores, desesperan\u00e7as mas tamb\u00e9m de muitas esperan\u00e7as com tantos jovens que, como o Andr\u00e9, t\u00eam graves problemas de sa\u00fade ensinaram esta fam\u00edlia a ver \u201co copo meio cheio\u201d e a agradecer por se conseguir manter unida. Mas esta uni\u00e3o implicou tamb\u00e9m muitos sacrif\u00edcios, nomeadamente financeiros, motivados pelas constantes idas para o hospital e por as terapias realizadas no privado. Chegaram a passar natais \u201capertados\u201d mas a m\u00e3e do Andr\u00e9 acredita que \u201cquando se faz as coisas de cora\u00e7\u00e3o as coisas v\u00e3o fluindo\u201d.<\/p>\n<p>Joana Ferreira tinha dois anos quando o irm\u00e3o foi diagnosticado. \u201cEla precisava de n\u00f3s e na altura fiquei eu a trabalhar e o pai a tomar conta do Andr\u00e9, o que n\u00e3o \u00e9 o normal\u201d, comenta. Foi uma decis\u00e3o que teve em considera\u00e7\u00e3o a pesada carga hor\u00e1ria laboral do pai, enquanto eletricista. \u201cO elo familiar com a Joana n\u00e3o ia estar t\u00e3o ligado porque o infant\u00e1rio n\u00e3o abre \u00e0s 07h, nem fecha \u00e0s 21h e ia andar de lado para lado e ent\u00e3o decidimos sacrificar a parte financeira em prol da fam\u00edlia\u201d, explica Fernanda Abreu que \u00e9 auxiliar da a\u00e7\u00e3o educativa numa escola. \u201cO meu marido ficava a tomar conta do Andr\u00e9, n\u00f3s funcion\u00e1rios p\u00fablicos trabalh\u00e1mos menos horas, ent\u00e3o levava a Joana para o infant\u00e1rio e \u00e0 noite recolhia e est\u00e1vamos todos em casa\u201d, explica.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1828 alignright\" src=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/irma.jpg\" alt=\"\" width=\"541\" height=\"406\" \/>A camaradagem entre irm\u00e3os come\u00e7ou cedo: \u201cO Andr\u00e9 ia fazer os tratamentos e a irm\u00e3 punha logo a m\u00e1scara como quem \u2018Eu estou solid\u00e1ria contigo\u2019. Eu dava a medica\u00e7\u00e3o ao Andr\u00e9 e porque ela tamb\u00e9m tinha dores de cabe\u00e7a eu dava-lhe um M&amp;M para lhe aliviar as dores de cabe\u00e7a [risos]\u201d, lembra a m\u00e3e. \u201cEla \u00e9 o nosso bra\u00e7o direito desde pequena\u201d, elogia a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Ferreira j\u00e1 foi uma vez a p\u00e9 a F\u00e1tima e tr\u00eas vezes a Santiago de Compostela. \u201cDei-lhe a m\u00e3o na Igreja da Oliveira e s\u00f3 paramos em Santiago de Compostela e foi maravilhoso\u201d. Os p\u00e9s do jovem ficaram \u201cnuma l\u00e1stima\u201d mas nunca desistiu. \u201cO Andr\u00e9 \u00e9, assim como a fam\u00edlia, uma pessoa com uma resili\u00eancia inabal\u00e1vel\u201d, confirma Jo\u00e3o Miranda.<\/p>\n<p>O companheirismo e amizade por parte deste assistente pessoal acalenta a convic\u00e7\u00e3o de que a publica\u00e7\u00e3o dos livros de poesia \u00e9 poss\u00edvel: \u201cPercebi que a poesia para ele \u00e9 muito importante e desta forma tento ajud\u00e1-lo a trilhar esse caminho, o caminho do sentido da vida. \u00c9 uma forma de o ajudar a incluir na sociedade, de mostrar que apesar das limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas \u00e9 uma pessoa com muito valor e potencial pessoal\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>A televis\u00e3o est\u00e1 ligada, mas n\u00e3o atrapalhou a conversa que fluiu com a mesma naturalidade com que os tr\u00eas c\u00e3es adotados acolhem quem entra nesta casa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1831 alignleft\" src=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-12-15-at-16.22.34-4.jpeg\" alt=\"\" width=\"153\" height=\"204\" \/>Na cozinha, a irm\u00e3 do Andr\u00e9 pede indica\u00e7\u00f5es \u00e0 m\u00e3e para cortar o tecido com que far\u00e3o os sacos das prendas de natal: \u201cN\u00f3s aqui em casa \u00e9 que fazemos as prendas para oferecer e os saquinhos para as p\u00f4r e evitar o pl\u00e1stico\u201d, contextualiza Fernanda Abreu. Est\u00e3o a \u201cembrulhar\u201d uma boneca, a Alice no Pa\u00eds das Maravilhas, feita em crochet. \u00c9 para oferecer \u00e0 Alice, a afilhada de Joana Ferreira. \u201cEu perguntei ao Andr\u00e9 se queria que lhe fizesse o Principezinho para lhe oferecer no natal\u201d, disse que n\u00e3o queria. Nunca leu, prefere Fernando Pessoa.<\/p>\n<p>\u00c9 tudo feito com muito amor e se o amor tem cheiro, naquela casa de artes\u00e3os e peregrinos o amor cheira a incenso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manel de Alecrim \u00e9 o poeta que escreve sobre a inquieta\u00e7\u00e3o do amor e a forma como v\u00ea o mundo que o rodeia. 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