{"id":1942,"date":"2021-10-20T09:53:04","date_gmt":"2021-10-20T09:53:04","guid":{"rendered":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/?p=1942"},"modified":"2021-10-28T11:03:34","modified_gmt":"2021-10-28T11:03:34","slug":"dancando-com-a-diferenca-dentro-de-portas-vimaranenses","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/?p=1942","title":{"rendered":"Dan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a dentro de portas vimaranenses"},"content":{"rendered":"<p>O +Inclus\u00e3o \/ Fora de Portas, um projeto da companhia de dan\u00e7a Dan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a, esteve em Guimar\u00e3es para, durante uma semana, formar professores, monitores e pessoas que trabalhem com alunos com necessidades espec\u00edficas ou defici\u00eancia. Regressa em fevereiro para continuar a preparar a pe\u00e7a Endless com a comunidade vimaranense e come\u00e7ar os ensaios deste espet\u00e1culo previsto estrear a 29 de abril, no Dia Mundial da Dan\u00e7a.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Em parceria com A Oficina, o \u201cDan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a\u201d avan\u00e7a, em Guimar\u00e3es, com um projeto que nasceu na Madeira mas que agora, \u201cfora de portas\u201d, pretende multiplicar por Portugal fora aquilo que \u00e9 o conhecimento acumulado em 20 anos de atividade desta companhia de dan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cTem muito a ver com isso, estamos presentes em dois lugares, da\u00ed o fora de portas, mostrando a nossa forma de trabalhar, a nossa metodologia, formando as pessoas para, de alguma forma, poderem levar a nossa experi\u00eancia para os seus locais de trabalho\u201d, contextualiza o fundador e diretor art\u00edstico desta companhia de dan\u00e7a, Henrique Amoedo.<\/p>\n<p>Os participantes na semana de forma\u00e7\u00e3o, que decorreu de 27 de setembro a 01 de outubro, ser\u00e3o os respons\u00e1veis pela identifica\u00e7\u00e3o dos intervenientes na pe\u00e7a e pela aproxima\u00e7\u00e3o deste projeto \u00e0s escolas e \u00e0s diferentes institui\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0s pessoas com defici\u00eancia do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>O mote da \u201cinclus\u00e3o atrav\u00e9s das artes\u201d vai guiar o grupo que se criou, enaltecendo as respetivas diferen\u00e7as e potencialidades, num \u201ccaminho para o reconhecimento do outro\u201d, que promete transformar todos os participantes nesta iniciativa. \u201cEste projeto tem que deixar alguma coisa em quem participou nele\u201d, considera o diretor art\u00edstico do Dan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>A proposta parece simples, mas pressup\u00f5e a desconstru\u00e7\u00e3o de preconceitos e a apresenta\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es diversificadas e pensadas para cada realidade. \u201c\u00c9 um projeto que eu gosto muito de fazer porque \u00e9 o trabalho de base. \u00c9 come\u00e7ar no zero\u201d, contextualiza Henrique Amoedo.<\/p>\n<p>\u201cEsta semana foi um m\u00e1ximo. Temos um grupo de professores, t\u00e9cnicos, pessoas que trabalham na \u00e1rea da defici\u00eancia em diferentes express\u00f5es ou pessoas que est\u00e3o nas escolas mas que de alguma forma t\u00eam liga\u00e7\u00e3o com a \u00e1rea da defici\u00eancia e inclus\u00e3o. \u00c9 dura esta fase, porque o Dan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a tem uma maneira de ver a defici\u00eancia muito controversa para alguns\u201d, analisa a prop\u00f3sito da forma\u00e7\u00e3o em Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Esta primeira etapa do projeto, al\u00e9m da abordagem te\u00f3rica sobre a tem\u00e1tica da defici\u00eancia, inclui a apresenta\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a Endless e a melhor maneira de trazer toda a reflex\u00e3o proporcionada na forma\u00e7\u00e3o para dentro de cena. \u201cO espet\u00e1culo muda e adapta-se \u00e0 realidade local embora o tema central, o esqueleto do espet\u00e1culo, seja sempre o mesmo. Mas depois vai-se adaptando segundo o contexto local, as pessoas que est\u00e3o ali e vai sofrendo uma adapta\u00e7\u00e3o no tempo sobre diferentes quest\u00f5es&#8221;, explica Henrique Amoedo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1967 alignleft\" src=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/JSC_7134-copy.fw_-1-300x200.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/JSC_7134-copy.fw_-1-300x200.png 300w, http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/JSC_7134-copy.fw_-1-768x512.png 768w, http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/JSC_7134-copy.fw_-1.png 1002w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Endless \u00e9 a pe\u00e7a de que se fala e que aborda o tema do Holocausto. Esta pe\u00e7a \u00e9 o resultado de um projeto europeu que unia a Alemanha, Litu\u00e2nia, Est\u00f3nia, Pol\u00f3nia e Portugal. Endless \u00e9 um espet\u00e1culo feito com as gentes locais, com pessoas com e sem defici\u00eancia, num contexto em que \u201ch\u00e1 uma valoriza\u00e7\u00e3o da capacidade de cada um\u201d, em que todos v\u00e3o dar \u201co melhor que podem dentro do espet\u00e1culo\u201d.<\/p>\n<p>Este tema e a abordagem art\u00edstica do mesmo criam a controv\u00e9rsia \u201cideal\u201d de debate e funcionam como ponto de partida para as muitas quest\u00f5es levantadas na forma\u00e7\u00e3o: \u201cPorque \u00e9 que \u00e9 importante falar sobre o tema do Holocausto? Como se trata um tema t\u00e3o sens\u00edvel como este com uma popula\u00e7\u00e3o t\u00e3o sens\u00edvel como esta? Qual \u00e9 a import\u00e2ncia das pessoas com defici\u00eancia poderem estar em cena tamb\u00e9m com um posicionamento pol\u00edtico? O que \u00e9 que pessoas com defici\u00eancia intelectual v\u00e3o entender do espet\u00e1culo (se sabem o que est\u00e3o a fazer ou n\u00e3o)? Se n\u00e3o sabem o que est\u00e3o a fazer quais s\u00e3o os ganhos que podem ter por participar? Como se avaliam os ganhos f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos de participar mesmo sem entender aquela hist\u00f3ria? Como se percebe isso? Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o disso com a fam\u00edlia? A fam\u00edlia concorda?\u201d, enumera.<\/p>\n<p>As discuss\u00f5es nesta semana de forma\u00e7\u00e3o em Guimar\u00e3es andaram \u00e0 volta deste \u201cpuzzle enorme\u201d para se conseguir \u201ccome\u00e7ar do zero\u201d: \u201cH\u00e1 quest\u00f5es que s\u00e3o duras e eu entendo que muitas vezes s\u00e3o quest\u00f5es que n\u00e3o chegam \u00e0s institui\u00e7\u00f5es nem \u00e0s escolas mas que eu acho que se t\u00eam que trabalhar\u201d, defende Henrique Amoedo.<\/p>\n<p>O regresso est\u00e1 previsto para fevereiro e nessa altura o +Inclus\u00e3o \/ Fora de Portas vai come\u00e7ar o trabalho no terreno com as pessoas que fizeram esta forma\u00e7\u00e3o. \u201cVamos \u00e0s escolas e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es onde trabalham come\u00e7ar a trabalhar a coreografia. Vamos acompanhando para, em abril, juntarmos todos e fazermos o espet\u00e1culo&#8221;, explica. O sonho de Henrique Amoedo \u00e9 ter cem pessoas em palco, sem m\u00e1scaras e a poderem-se tocar como antigamente.<\/p>\n<div id=\"attachment_1966\" style=\"width: 501px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1966\" class=\"wp-image-1966\" src=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/J405-0954.fw_-300x200.png\" alt=\"\" width=\"491\" height=\"327\" srcset=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/J405-0954.fw_-300x200.png 300w, http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/J405-0954.fw_-768x513.png 768w, http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/J405-0954.fw_.png 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 491px) 100vw, 491px\" \/><p id=\"caption-attachment-1966\" class=\"wp-caption-text\">Foi em 2016 que o projeto +Inclus\u00e3o come\u00e7ou a aplicar respostas do \u201cDan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a\u201d a diferentes contextos e desde essa altura o trabalho anda sempre ou quase sempre de m\u00e3os dadas com a realidade temporal em que se desenvolve.<\/p><\/div>\n<p>Em Endeless a envolv\u00eancia criada com a tem\u00e1tica da pe\u00e7a est\u00e1 patente nas visitas de parte do elenco do espet\u00e1culo ao Memorial do Holocausto (em Berlim), \u00e0 Colina das Cruzes (na Litu\u00e2nia) e aos campos de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz-Birkenau (na Pol\u00f3nia). Mas no fundo o Holocausto aqui \u00e9 s\u00f3 usado para falar de dignidade humana: \u201c\u00c9 uma met\u00e1fora para a dignidade ou a falta dela\u201d, resume Henrique Amoedo. Estas visitas s\u00e3o a prova de que este \u201c\u00e9 um espet\u00e1culo pesado, que faz pensar\u201d. E Henrique Amoedo n\u00e3o trabalha para menos.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m da sensa\u00e7\u00e3o de se estar l\u00e1, pudemos conversar, entender e sentir o que era aquilo &#8211; mesmo tendo defici\u00eancia intelectual, eram pessoas com trissomia 21 &#8211; e \u00e9 daqui que nasce a pe\u00e7a\u201d. E toda a hist\u00f3ria que existe \u00e0 volta da pe\u00e7a \u00e9 passada aos futuros participantes para que eles percebem todo o contexto desta produ\u00e7\u00e3o. \u201cEssa pe\u00e7a \u00e9 ensinada \u00e0s pessoas com todo este background, com as fotos e os v\u00eddeos que temos do processo e com filmes que possam falar do Holocausto. Mas o espet\u00e1culo vai-se adaptando segundo a realidade e estas quest\u00f5es que se v\u00e3o discutindo em cada lugar\u201d, explica o diretor art\u00edstico.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma cena de fuzilamento em que a \u00faltima pessoa a ser fuzilada, na Madeira, \u00e9 uma crian\u00e7a que, na altura dos ensaios, disse \u00e0 av\u00f3 que queria fazer aquela cena. A segunda vez que o espet\u00e1culo \u00e9 apresentado, coincide com o aparecimento do corpo de Aylan Kuri numa praia na Turquia e ent\u00e3o a crian\u00e7a que participa na pe\u00e7a entra com as mesmas roupas deste menino s\u00edrio que morreu afogado. \u201cE n\u00e3o o tiro de cena deixo-o sempre com um foco de luz at\u00e9 ao final do espet\u00e1culo\u201d. No Brasil a pessoa que interpretou esta personagem \u00e9 um rapaz que tinha uma personagem de drag queen e que coloca a quest\u00e3o: Sabe quantas pessoas LGBT s\u00e3o mortas por dia no Brasil?\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Em Guimar\u00e3es quem ser\u00e1? \u201cEu n\u00e3o sei ainda, vou ter que descobrir\u201d, admite Henrique Amoedo.<\/p>\n<p>E se tamb\u00e9m quiser descobrir pode assistir \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo cuja estreia est\u00e1 marcada para 29 de abril, o dia mundial da dan\u00e7a.<\/p>\n<blockquote>\n<h2><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1957 alignleft\" src=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Design-sem-nome-2-1-300x300.png\" alt=\"\" width=\"192\" height=\"192\" srcset=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Design-sem-nome-2-1-300x300.png 300w, http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Design-sem-nome-2-1-150x150.png 150w, http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Design-sem-nome-2-1-768x768.png 768w, http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Design-sem-nome-2-1-1024x1024.png 1024w, http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Design-sem-nome-2-1.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 192px) 100vw, 192px\" \/><\/strong><\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2><strong>Henrique Amoedo: \u201c<\/strong>As pessoas reconhecem o Dan\u00e7ando pela Diferen\u00e7a hoje pela qualidade art\u00edstica do trabalho que faz\u201d.<\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>F\u00f3rum Municipal (FM) &#8211; S\u00e3o 20 anos do \u201cDan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a\u201d e 20 anos de Henrique Amoedo em \u00e0 frente desta organiza\u00e7\u00e3o e da respetiva atividade art\u00edstica: Nada arrependido de estar em Portugal \u00e0 frente deste projeto? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Henrique Amoedo (HA) &#8211;<\/strong> N\u00e3o. H\u00e1 20 anos atr\u00e1s eu nunca imaginaria que o projeto fosse o que \u00e9 hoje, com a relev\u00e2ncia que tem art\u00edstica e a relev\u00e2ncia que tem dentro da educa\u00e7\u00e3o especial das pessoas com defici\u00eancia e, cada vez mais, em outras \u00e1reas. Essa coisa da \u2018defici\u00eancia\u2019 no decorrer destes 20 anos est\u00e1 no ADN do grupo, \u00e9 imposs\u00edvel negar mas \u00e9 quase como se fosse sendo esbatida, outras diferen\u00e7as, outros corpos n\u00e3o normativos come\u00e7aram a fazer parte disto. N\u00e3o estou arrependido e faria tudo de novo.<\/p>\n<p><strong>FM &#8211; Ou seja, foi-se descobrindo o conceito de inclus\u00e3o na pr\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HA &#8211;<\/strong> Exato. Porque voc\u00ea abre o seu olhar, a forma de perceber a sociedade. No fundo acho que \u00e9 isso: perceber a sociedade de outra forma e perceber que posso ter uma interven\u00e7\u00e3o e as pessoas procuram muito o Dan\u00e7ando hoje.<\/p>\n<p><strong>FM &#8211; Nestes 20 anos sentem que o \u201cDan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a\u201d acompanhou a evolu\u00e7\u00e3o positiva na maneira como as pessoas olham para estas quest\u00f5es das diferen\u00e7as ou de alguma forma andou \u00e0 frente desta mudan\u00e7a de mentalidade? <\/strong><\/p>\n<p><strong>HA &#8211;<\/strong> Eu acho que s\u00e3o as duas coisas: n\u00e3o posso dizer que s\u00f3 o Dan\u00e7ando fez o trabalho, porque existem trabalhos excelentes que foram surgindo e que acompanham essa mudan\u00e7a mas acho que esteve \u00e0 frente em muitos sentidos.<\/p>\n<p><strong>FM &#8211; A come\u00e7ar pelo impacto que tiveram na ilha da Madeira ou come\u00e7ou cedo a internacionaliza\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p><strong>HA &#8211;<\/strong> Primeiro foi conquistar diferentes p\u00fablicos da ilha, chegar ao p\u00fablico da ilha e depois veio esse processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 de mostrar as coisas internacionalmente mas dentro de Portugal continental. Foi um processo pensado, calculado com projetos espec\u00edficos at\u00e9 se conseguir. Na ilha foi muito mais f\u00e1cil e r\u00e1pido, quer seja pela proximidade das pessoas, quer seja pelo facto de sermos companhia residente no MUDAS.Museu de Arte Contempor\u00e2nea. Ou seja, os nossos espet\u00e1culos, no princ\u00edpio, eram todos l\u00e1 e o Dan\u00e7ando conseguia, de alguma forma, receber o p\u00fablico que ia assistir e perceber que esse p\u00fablico vai aumentando, vai mudando mas que depois vira um p\u00fablico que segue sempre o Dan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a. As redes sociais ajudaram muita a perceber isso nesses anos: quem comenta, quem interage.<\/p>\n<p><strong>FM &#8211; Quem \u00e9 o p\u00fablico do Dan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HA &#8211;<\/strong> No princ\u00edpio s\u00e3o os familiares dos artistas mas \u00e0 medida que foi crescendo o trabalho, hoje posso dizer com certeza que n\u00e3o s\u00e3o os familiares e os amigos. Acho que \u00e9 um p\u00fablico muito amplo. Se olharmos para a Estat\u00edstica percebe-se que o p\u00fablico \u00e9, maioritariamente, feminino, acima dos 25 aos 45 anos. Mas isso \u00e9 o normal na \u00e1rea da cultura, o Dan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a reflete o p\u00fablico da cultura de uma forma geral.<\/p>\n<p><strong>FM &#8211; O p\u00fablico \u00e9, no fundo, aquele que est\u00e1 atento \u00e0 cultura?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HA &#8211;<\/strong> Sim. Cada vez mais. Mesmo na minha forma de trabalhar. N\u00e3o \u00e9 negar a \u201ccoisa\u201d, mas cada vez eu olho menos para as quest\u00f5es da defici\u00eancia porque o olhar est\u00e1 mesmo na arte e na cultura, ou seja, qual o core\u00f3grafo que fez isso, o que esse teatro programou e dentro disso tamb\u00e9m se olha se esse teatro oferece condi\u00e7\u00f5es de acessibilidade ou n\u00e3o, como tratar essas quest\u00f5es, acaba-se ligando tudo.<\/p>\n<p><strong>FM &#8211; Passa a ser indispens\u00e1vel ter a inclus\u00e3o dentro e fora do palco, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HA &#8211;<\/strong> E tamb\u00e9m o que muda neste processo de 20 anos \u00e9 o circuito de circula\u00e7\u00e3o. Numa primeira fase faz\u00edamos muitos eventos segmentados ou seja os eventos ligados \u00e0s quest\u00f5es da defici\u00eancia ou em risco de vulnerabilidade. Depois o Dan\u00e7ando come\u00e7a a fazer as temporadas regulares dos teatros e depois come\u00e7a a fazer alguns festivais e, \u00e0 medida que o tempo passa, a import\u00e2ncia desses teatros ou desses festivais tamb\u00e9m vai aumentando. Ent\u00e3o \u00e9 conquistar outros espa\u00e7os.<\/p>\n<p><strong>FM &#8211; E essa conquista demora mais por ser uma companhia de dan\u00e7a inclusiva? <\/strong><\/p>\n<p><strong>HA &#8211;<\/strong> A minha resposta talvez v\u00e1 ao contr\u00e1rio daquilo que se ouve: Eu n\u00e3o sinto que seja mais dif\u00edcil. Numa primeira fase \u00e9 mais dif\u00edcil porque as pessoas n\u00e3o conhecem o trabalho mas com o tempo \u00e9 quase como se tivesse a qualidade do trabalho reconhecida. As pessoas reconhecem o Dan\u00e7ando pela Diferen\u00e7a hoje pela qualidade art\u00edstica do trabalho que faz.<\/p>\n<p><strong>FM &#8211; Acha que h\u00e1 projetos com qualidade que ficam \u201cperdidos\u201d pela dificuldade de sa\u00edrem das institui\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HA &#8211;<\/strong> Eu acho que muitos projetos podem fazer esse caminho, mas n\u00e3o acho que isso seja importante para todos os projetos. Os projetos mais de \u00e2mbito educativo, de apoio terap\u00eautico eles t\u00eam a sua import\u00e2ncia e s\u00e3o primordiais. Nem todo o mundo precisa ser bailarina profissional por mais que voc\u00ea goste de dan\u00e7ar, pode dan\u00e7ar noutros contextos.<\/p>\n<p><strong>FM &#8211; Podia haver olheiros para captar talentos para estes projetos\u2026<\/strong><\/p>\n<p><strong>HA &#8211;<\/strong> Eu sou muito olheiro, por acaso. A Mariana Temba, que eu conheci numa digress\u00e3o nossa na Su\u00ed\u00e7a, &#8211; eu vi-a a dan\u00e7ar, a Mariana \u00e9 biamputada, e convidei-a e ela est\u00e1 no Dan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a, foi para a Madeira, mora l\u00e1 e faz agora uma pe\u00e7a com a Marlene Monteiro Freitas, uma core\u00f3grafa portuguesa super importante \u2013 elas est\u00e3o a dan\u00e7ar no Tivoli hoje, por exemplo. Ou seja, a Mariana tem viajado o mundo inteiro com a Marlene dan\u00e7ando esta pe\u00e7a. E a quest\u00e3o da Marlene n\u00e3o tem nada a ver com a quest\u00e3o da defici\u00eancia \u00e9 uma quest\u00e3o art\u00edstica: \u00e9 um grupo de dan\u00e7a que tem uma pessoa com defici\u00eancia no meio daquela pe\u00e7a. Por isso quando se consegue come\u00e7ar a dar estes saltos \u00e9 quase como se a dan\u00e7a inclusiva, que eu falava em 2002, fosse dispens\u00e1vel. Em Portugal h\u00e1 projetos muito bons que t\u00eam vindo a crescer: o Terra Amarela \u00e9 um exemplo, o trabalho da Diana Niepce \u00e9 outro exemplo. Tem um trabalho em Ponte de Lima da Concei\u00e7\u00e3o Cunha, na APPACDM que tem uma qualidade enorme, \u00e9 o exemplo de um trabalho que n\u00e3o pretende ser uma companhia de dan\u00e7a profissional. Existem trabalhos assim e eles t\u00eam que acontecer e percebo que cada vez surgem mais projetos e mais pessoas.<\/p>\n<div id=\"attachment_1964\" style=\"width: 241px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1964\" class=\"wp-image-1964 size-medium\" src=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/vamo-231x300.jpg\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/vamo-231x300.jpg 231w, http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/vamo.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><p id=\"caption-attachment-1964\" class=\"wp-caption-text\">A pe\u00e7a \u201cVaamo share oque shop \u00e9 Beiro Pateiro.workshop\u201d da Vera Mantero foi uma co-produ\u00e7\u00e3o com A Oficina e estreou em Guimar\u00e3es a 01 de maio deste ano, dentro do Quadril\u00e1tero, e por isso tamb\u00e9m em Barcelos, Braga e Famalic\u00e3o.<\/p><\/div>\n<p><strong>FM &#8211; Em termos de estrutura o \u201cDan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a\u201d \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o que j\u00e1 mexe com muita gente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HA &#8211;<\/strong> \u00c9 uma estrutura muito grande e que, de alguma forma, me afasta dos bailarinos, do trabalho do terreno. Trato muito mais da estrutura hoje do que estou na sala a dar aula de dan\u00e7a. Temos o N\u00facleo de Dan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a em Viseu\u2026<\/p>\n<p><strong>FM &#8211; Pois, como surgiu esta liga\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HA &#8211;<\/strong> Naturalmente mas \u00e9 um projeto de continuidade. A nossa primeira rela\u00e7\u00e3o com o Teatro Viriato acontece em 2011:eu fui dar um workshop e depois o Paulo Ribeiro e a Leonor Keil coreografam para o Dan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a e criam Desafinado. Depois eu volto para um workshop e vamos tendo v\u00e1rios momentos de encontro ali no Teatro Viriato e, de alguma forma, foi alertando as pessoas com defici\u00eancia para estarem no teatro a fazer aulas de dan\u00e7a atrav\u00e9s desse workshop. Depois a dire\u00e7\u00e3o do teatro convida para fazer um projeto maior e com maior dura\u00e7\u00e3o: visitamos as institui\u00e7\u00f5es todas que trabalham para pessoas com defici\u00eancia em Viseu e foram convidadas a participarem num projeto que durou tr\u00eas meses com aulas regulares. O objetivo era fazer uma mostra final do resultado e o passo seguinte foi manter um n\u00facleo regular de trabalho no Teatro Viriato e nas institui\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o hoje \u00e9 uma estrutura grande que atende em Viseu mais de 200 pessoas. Depois na Madeira tamb\u00e9m \u00e9 uma estrutura grande com a companhia e os grupos de base. Com a pandemia tudo parou e devemos retomar em janeiro, mas a companhia parou pouqu\u00edssimo porque \u00e9 como se fosse uma bolha.<\/p>\n<p><strong>FM &#8211; E a paragem foi \u00fatil?\u00a0<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_1971\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1971\" class=\"wp-image-1971 size-medium\" src=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/calendario_supernatural_1631627725-300x271.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"271\" srcset=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/calendario_supernatural_1631627725-300x271.jpg 300w, http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/calendario_supernatural_1631627725.jpg 347w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-1971\" class=\"wp-caption-text\">O contexto da pandemia n\u00e3o permitiu que o Dan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a prosseguisse com a cria\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a com Andr\u00e9 Teod\u00f3sio, fundador do Teatro Praga. O convite ao realizador Jorge J\u00e1come resultou em \u201cSuperNatural\u201d, um filme performativo que foi apresentado work in progress\u00a0 a 09 de maio em Guimar\u00e3es, seguido de uma conversa presencial em torno do mesmo que juntou Henrique Amoedo,\u00a0Andr\u00e9 Teod\u00f3sio,\u00a0Jos\u00e9 Maria Vieira Mendes e\u00a0Jorge J\u00e1come. A pr\u00f3xima paragem \u00e9 a 27 de outubro em Viseu em outubro e o desejo principal \u00e9 que circule pelas salas de cinema do pa\u00eds.<\/p><\/div>\n<p><strong>HA &#8211;<\/strong> Foi. Foi \u00f3tima. Fez com que tiv\u00e9ssemos tempo para pensar algumas coisas e reorganizar algumas coisas, mesmo na estrutura. A estrutura hoje no total emprega 13 pessoas, fora os bailarinos da companhia. \u00c9 uma estrutura enorme para o que faz mas que gere emprego e mexe na cultura e nas artes na Madeira. A pandemia deu para parar, para pensar quais s\u00e3o os objetivos para os pr\u00f3ximos 10 anos para Viseu, para a companhia\u2026<\/p>\n<p><strong>HA &#8211;<\/strong> <strong>Al\u00e9m de Viseu o \u201cDan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a\u201d imagina-se a criar outros n\u00facleos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>HA &#8211;<\/strong> Temos muitos convites para fazer outros n\u00facleos mas eu resisto muito porque temos que nos consolidar. Eu n\u00e3o queria que o Dan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a virasse o Macdonalds e que tivesse um franchising. N\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o possamos fazer outro n\u00facleo a determinado momento, mas temos que ter as coisas consolidadas primeiro e Viseu est\u00e1 a caminho da consolida\u00e7\u00e3o e j\u00e1 consegue fazer o trabalho de uma forma muito efetiva. E se eu n\u00e3o consigo estar l\u00e1, n\u00e3o \u00e9 que eu seja a pe\u00e7a principal mas gosto de ver e n\u00e3o adianta porque eu n\u00e3o consigo estar em todos os lados. Acho que n\u00e3o \u00e9 essa a ideia e a solu\u00e7\u00e3o encontrada para isso \u00e9 o projeto \u201c+Inclus\u00e3o fora de portas\u201d. Tem muito a ver com isso, estamos presentes em dois lugares, da\u00ed o fora de portas, mostrando a nossa forma de trabalhar, a nossa metodologia, formando as pessoas para, de alguma forma, poderem levar a nossa experi\u00eancia para os seus locais de trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fotografias:\u00a0@Julio Silva Castro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O +Inclus\u00e3o \/ Fora de Portas, um projeto da companhia de dan\u00e7a Dan\u00e7ando com a Diferen\u00e7a, esteve em Guimar\u00e3es para, durante uma semana, formar professores, monitores e pessoas que trabalhem com alunos com necessidades espec\u00edficas ou defici\u00eancia. Regressa em fevereiro para continuar a preparar a pe\u00e7a Endless com a comunidade vimaranense e come\u00e7ar os ensaios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1948,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-1942","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1942","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1942"}],"version-history":[{"count":22,"href":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1942\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1977,"href":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1942\/revisions\/1977"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1948"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}