{"id":243,"date":"2018-12-17T18:44:49","date_gmt":"2018-12-17T18:44:49","guid":{"rendered":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/?p=243"},"modified":"2018-12-17T18:52:59","modified_gmt":"2018-12-17T18:52:59","slug":"ola-eu-sou-o-zeca-queres-ser-meu-amigo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/?p=243","title":{"rendered":"Ol\u00e1 eu sou o Zeca, queres ser meu amigo?"},"content":{"rendered":"<p>Chama-se Zeca e \u00e9 um robot programado pelo Departamento de Eletr\u00f3nica Industrial da Escola de Engenharia da Universidade do Minho para interagir com crian\u00e7as e jovens com perturba\u00e7\u00f5es do espetro do autismo. O intuito deste projeto de investiga\u00e7\u00e3o, que inclui o desenvolvimento de software de jogos s\u00e9rios, \u00e9 melhorar a identifica\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es, uma compet\u00eancia que muitas vezes est\u00e1 comprometida devido a este diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nA maioria das crian\u00e7as que, ao longo destes anos, t\u00eam conhecido o Zeca n\u00e3o lhe fica indiferentes. E a ideia \u00e9, precisamente, que sintam vontade de interagir com este robot para desenvolverem as respetivas compet\u00eancias sociais. Isto porque, quando este projeto de investiga\u00e7\u00e3o da Universidade do Minho come\u00e7ou, em 2009, prop\u00f4s-se a colocar a tecnologia \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as com perturba\u00e7\u00f5es do espetro do autismo com o objetivo de trabalhar nelas as intera\u00e7\u00f5es e habilidades sociais necess\u00e1rias \u00e0 respetiva inser\u00e7\u00e3o familiar e comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00c9 de inclus\u00e3o que se est\u00e1 a falar e tudo come\u00e7ou como todos os grandes projetos come\u00e7am: \u201cpor acaso\u201d. Filomena Soares, docente do Departamento de Eletr\u00f3nica Industrial (DEI) da Universidade do Minho (DEI-UM) e investigadora no Centro de Algoritmi depois de conversar com a m\u00e3e de uma amiga da filha que \u00e9 psic\u00f3loga na Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Pais e Amigos do Cidad\u00e3o Deficiente Mental (APPACDM) de Braga apresentou aos colegas do departamento a ideia de avan\u00e7ar com algo nesta \u00e1rea. A verdade \u00e9 que n\u00e3o sabiam nada sobre autismo e \u201cdepois de alguma pesquisa na literatura existente\u201d, decidiram, no \u00e2mbito de \u201cdois mestrados em Eletr\u00f3nica Industrial, utilizar o robot da Lego para trabalhar com dois jovens adolescentes com autismo, n\u00e3o-verbais e com defici\u00eancia intelectual associada\u201d.<\/p>\n<p>\u201cDe facto, os resultados foram muito positivos, o que nos levou a considerar que havia espa\u00e7o para utilizarmos a tecnologia para chegar aos jovens\u201d, refere Filomena Soares. E os resultados podem demonstrar-se em coisas simples como um deles entrar na sala e sentar-se na cadeira mais pr\u00f3xima do robot. \u201cNunca o tinha feito porque havia a cadeira que era, especificamente, a dele e isso para as professoras foi algo muito positivo\u201d, acrescenta a docente e investigadora no Centro de Algoritmi da UM.<\/p>\n<p>Decidiram continuar com o trabalho utilizando os rob\u00f4s da Lego, por serem resistentes, de baixo custo e modulares. \u201cUtiliz\u00e1vamos diferentes configura\u00e7\u00f5es, diferentes montagens para testar diferentes compet\u00eancias nas crian\u00e7as\u201d, explica.<\/p>\n<p>Segundo Filomena Soares o robot funcionava como um refor\u00e7o do objetivo da aprendizagem: \u201cA crian\u00e7a tinha que pedir quando queria alguma coisa\u201d, neste caso a crian\u00e7a tinha que pedir para o robot lhe lan\u00e7ar a bola. Depois evolui-se para a coloca\u00e7\u00e3o de duas crian\u00e7as juntas, com o robot no meio \u201ccomo mediador da tarefa\u201d. No final o robot foi retirado e ficaram s\u00f3 as duas crian\u00e7as neste \u201cprocesso de brincar a lan\u00e7ar a bola um ao outro\u201d. \u201cA utiliza\u00e7\u00e3o do robot \u00e9 sempre o ponto de partida, a inten\u00e7\u00e3o final \u00e9 que ele j\u00e1 n\u00e3o seja necess\u00e1rio\u201d, acrescenta Jo\u00e3o Sena Esteves, tamb\u00e9m docente do DEI da Universidade do Minho e investigador no Centro de Algor\u00edtmica.<\/p>\n<p>Depois de aprovada a candidatura a financiamento pela Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e a Tecnologia mudaram o foco da investiga\u00e7\u00e3o. Se at\u00e9 ali se tinha trabalhado a realiza\u00e7\u00e3o, por assim dizer, de tarefas simples, a partir daquele momento decidiram trabalhar as emo\u00e7\u00f5es. \u201cE para isso t\u00ednhamos que ter um robot que n\u00e3o o Lego\u201d, refere Filomena Soares.<\/p>\n<p>Zeno Engaging Children with Autism \u00e9 o nome completo do Zeca, uma designa\u00e7\u00e3o portuguesa e mais amistosa para fazer as devidas apresenta\u00e7\u00f5es \u00e0s crian\u00e7as. \u201cEste robot tem um pol\u00edmero na cara que se assemelha a pele, por dentro tem uma s\u00e9rie de motores que devidamente programados permitem simular o sorrir, o estar triste, o zangado\u201d, explica a investigadora.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito do doutoramento de Sandra Costa realizou-se o primeiro estudo com 45 crian\u00e7as em que o robot continuava a ser um refor\u00e7o e um mediador na atividade. Foi depois do financiamento acabar que o professor Jo\u00e3o Sena Esteves se envolveu com o projeto porque o entusiasma muito \u201cajudar quem mais precisa\u201d, percebendo tamb\u00e9m que cada pessoa continua a ser um mist\u00e9rio. \u201cOs robots ajudam o que podem at\u00e9 um certo ponto, nem sempre h\u00e1 resultados espetaculares, outras vezes h\u00e1 coisas que nos alegram muito\u201d, admite o investigador do Centro de Algoritmi.<\/p>\n<p>Neste projeto de investiga\u00e7\u00e3o a protagonista, de facto, \u00e9 a pessoa, o Zeca existe enquanto for uma ajuda vi\u00e1vel e para tirar partido do facto de algumas crian\u00e7as com autismo se sentirem fascinadas pela tecnologia. \u201cEle \u00e9 um ponto de partida para come\u00e7arem a interagir um pouco mais\u201d, refere Jo\u00e3o Sena Esteves.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_250\" style=\"width: 409px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-250\" class=\" wp-image-250\" src=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Love-ina-cup-300x240.png\" alt=\"\" width=\"399\" height=\"319\" srcset=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Love-ina-cup-300x240.png 300w, http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Love-ina-cup-768x614.png 768w, http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Love-ina-cup.png 945w\" sizes=\"auto, (max-width: 399px) 100vw, 399px\" \/><p id=\"caption-attachment-250\" class=\"wp-caption-text\">O intuito deste projeto de investiga\u00e7\u00e3o, que inclui o desenvolvimento de software de jogos s\u00e9rios, \u00e9 melhorar a identifica\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es, uma compet\u00eancia que muitas vezes est\u00e1 comprometida devido a este diagn\u00f3stico.<\/p><\/div>\n<p>Vinicius Silva \u201centra\u201d neste projeto no quarto ano de licenciatura no \u00e2mbito da disciplina de projeto e, por causa do interesse que sempre teve pela \u00e1rea da Rob\u00f3tica, decidiu desenvolver com o Zeca \u201cum sistema de imita\u00e7\u00e3o de gestos\u201d, recorrendo a uma c\u00e2mara que mapeava as coordenadas. \u201cBasicamente tudo o que se fazia, o Zeca replicava e para validar o sistema fizemos uma experi\u00eancia com uma crian\u00e7a com hiperatividade e outra com dificuldades em perceber gestos bilaterais\u201d, descreve.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o deste teste era a crian\u00e7a com hiperatividade fazer os gestos, a c\u00e2mara mape\u00e1-los, o robot repetir os gestos e a outra crian\u00e7a imit\u00e1-los. \u201cUma intera\u00e7\u00e3o entre os tr\u00eas para a crian\u00e7a com hiperatividade estar mais calma e a outra crian\u00e7a sincronizar os gestos bilaterais. Dois objetivos diferentes com crian\u00e7as com diagn\u00f3sticos diferentes\u201d, resume Vinicius Silva.<\/p>\n<p>J\u00e1 no quinto ano, durante o mestrado, o investigador decidiu apostar na autonomia do Zeca. At\u00e9 \u00e0quela altura nas experi\u00eancias efetuadas quem validava se a resposta estava certa ou errada era a terapeuta ou a investigadora atrav\u00e9s de dois bot\u00f5es que iam indicar o feedback que o robot tinha a dar. \u201cA minha inten\u00e7\u00e3o era torn\u00e1-lo autom\u00e1tico e para isso usar t\u00e9cnicas de aprendizagem autom\u00e1tica, construir um modelo e a partir da\u00ed o robot foi capaz de detetar emo\u00e7\u00f5es\u201d, diz.<\/p>\n<p>No final foi efetuada uma experi\u00eancia com sete crian\u00e7as dos cinco aos nove anos durante quatro sess\u00f5es para verificar se sortia algum efeito esta aposta de Vinicius Silva no projeto. \u201cSeis das sete crian\u00e7as participaram e houve evolu\u00e7\u00e3o\u201d, revela. Uma crian\u00e7a n\u00e3o participou porque teve medo do robot, o que tamb\u00e9m demonstra o facto de cada crian\u00e7a com perturba\u00e7\u00f5es do espetro do autismo ter \u201cas suas particularidades\u201d.<\/p>\n<p>O doutoramento de Vinicius Silva est\u00e1 a dar continuidade ao trabalho realizado no mestrado e pretende tornar o Zeca ainda mais aut\u00f3nomo dotando-o da capacidade de se adaptar \u00e0 interven\u00e7\u00e3o. \u201cBasicamente o robot n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o nenhuma se a crian\u00e7a est\u00e1 atenta, se est\u00e1 distra\u00edda ent\u00e3o a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 analisar a dire\u00e7\u00e3o ocular ou ent\u00e3o a postura corporal da crian\u00e7a e durante a atividade se o robot notar que ela est\u00e1 distra\u00edda chamar a aten\u00e7\u00e3o outra vez para a atividade\u201d, explica o investigador.<\/p>\n<p>Embora a investiga\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento do projeto se realize no Campus de Azur\u00e9m, em Guimar\u00e3es, a verdade \u00e9 que o Zeca tem percorrido v\u00e1rias escolas e institui\u00e7\u00f5es do Norte do pa\u00eds para ir ao encontro dos novos amigos. Tamb\u00e9m os t\u00e9cnicos t\u00eam apresentado muita disponibilidade para trabalhar com este complemento \u00e0 interven\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica destas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O futuro? N\u00e3o se esgota o potencial de investiga\u00e7\u00e3o deste projeto. A continuidade do projeto est\u00e1 dependente de um poss\u00edvel financiamento, de alunos que se interessem por desenvolver as respetivas teses de mestrado neste \u00e2mbito e da disponibilidade das escolas e institui\u00e7\u00f5es para colaborarem.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 tanta coisa que \u00e9 poss\u00edvel fazer, temos investido tamb\u00e9m em jogos s\u00e9rios. O que substitui o robot pelo tablet\u201d, revela Filomena Soares. \u201cSe calhar uma ferramenta mais acess\u00edvel e mais dispon\u00edvel para ficar na escola e ser trabalhada pelos professores\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Com este Zeca virtual foram elaborados jogos para cumprir o objetivo de identificar as emo\u00e7\u00f5es e assim, quem sabe, a crian\u00e7a consiga dizer que est\u00e1 contente por ter um amigo como o Zeca.<\/p>\n<p>Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre o projeto contactar <a href=\"mailto:roboticaautismo@gmail.com\">roboticaautismo@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chama-se Zeca e \u00e9 um robot programado pelo Departamento de Eletr\u00f3nica Industrial da Escola de Engenharia da Universidade do Minho para interagir com crian\u00e7as e jovens com perturba\u00e7\u00f5es do espetro do autismo. 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