{"id":1422,"date":"2020-06-15T16:39:17","date_gmt":"2020-06-15T16:39:17","guid":{"rendered":"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/?p=1422"},"modified":"2020-06-16T08:58:43","modified_gmt":"2020-06-16T08:58:43","slug":"brito-parabens-ao-cao-e-ao-lar-residencial-do-centro-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/?p=1422","title":{"rendered":"Brito: Parab\u00e9ns ao CAO e ao lar residencial do Centro Social"},"content":{"rendered":"<p>Daqui a 15 dias o centro de atividades ocupacionais (CAO) e o lar residencial do Centro Social de Brito completam um ano de atividade. Estas duas val\u00eancias dirigidas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o com defici\u00eancia vieram colmatar necessidades h\u00e1 muito identificadas por esta institui\u00e7\u00e3o com mais de 20 anos de exist\u00eancia.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O balan\u00e7o dos primeiros 365 dias destas respostas sociais teve lugar numa sala do Polo Para\u00edso do Centro Social de Brito e foi realizado pelas diretoras t\u00e9cnicas de cada uma das val\u00eancias, \u00c2ngela Dias e Adelaide Silva. A grande janela envidra\u00e7ada antevia o espa\u00e7o exterior frequentado pelos clientes da institui\u00e7\u00e3o depois da habitual sesta ap\u00f3s o almo\u00e7o. Foi a hora ideal para poder observar esta rotina j\u00e1 que, devido \u00e0 pandemia por covid-19, n\u00e3o foi poss\u00edvel conhecer os cantos \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, falar com quem nela trabalha, com os que passam os dias em atividades ocupacionais e os que fazem dela a respetiva casa.<\/p>\n<p>\u00c2ngela Dias e Adelaide Silva ao falarem com o F\u00f3rum Municipal das Pessoas com Defici\u00eancia, revelaram que est\u00e3o em causa 30 clientes que residem no lar e 13 pessoas a frequentar o centro de atividades ocupacionais. \u201cO nosso lar ficou logo sem vagas passado umas semanas de abrir\u201d, revelou a diretora-t\u00e9cnica do lar residencial, \u00c2ngela Dias, referindo que o Instituto da Seguran\u00e7a Social recorreu ao Centro Social de Brito para dar resposta a algumas emerg\u00eancias sociais que h\u00e1 um ano atr\u00e1s precisavam de resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de anos a confirmar a procura por estas val\u00eancias, o Centro Social de Brito decidiu n\u00e3o adiar mais a cria\u00e7\u00e3o destas respostas sociais e a 01 de julho de 2019 inaugurou o centro de atividades ocupacionais e o lar residencial no polo Para\u00edso. \u201cSem d\u00favida tivemos sempre muita procura. Tivemos jovens que estavam connosco no jardim-de-inf\u00e2ncia desde pequeninos, acabavam depois por passar para o ATL [Atividades de Tempos Livres] e j\u00e1 depois da idade em que devem ficar no ATL eles ficavam connosco\u201d, confirmou a diretora-t\u00e9cnica.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1425 alignright\" src=\"http:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/insufl\u00e1vel.jpg\" alt=\"\" width=\"358\" height=\"477\" \/><\/p>\n<p>Est\u00e1 em causa um grupo de clientes bastante heterog\u00e9neo, em que o mais novo tem 19 anos e o mais velho 92 anos &#8211; cujos pais j\u00e1 faleceram, outros t\u00eam pais idosos que j\u00e1 n\u00e3o conseguem garantir os cuidados necess\u00e1rios e outros, a grande maioria, vem de contextos familiares negligentes. \u201cTemos casos de algumas pessoas que nunca comeram com talhares e que a primeira vez que lhes coloc\u00e1mos os talheres nas m\u00e3os n\u00e3o sabiam o que fazer. Temos hist\u00f3rias de vidas muito dif\u00edceis aqui, que s\u00f3 agora acabaram por ter uma resposta adequada porque estavam ainda com familiares que lhes davam maus-tratos\u201d, confirma \u00c2ngela Dias.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cA maior parte est\u00e3o aqui por terem uma fam\u00edlia negligente, nota-se que h\u00e1 muita falta de amor. Mas n\u00f3s aqui cuid\u00e1mos com o dobro do amor. Temos aqui jovens que nos abra\u00e7am como se nunca tivessem abra\u00e7ado na vida\u201d. \u00c2ngela Dias<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Esta falta de retaguarda familiar acabou por facilitar a gest\u00e3o das videochamadas e das visitas nesta crise epidemiol\u00f3gica por covid-19<strong>. <\/strong>\u201cN\u00f3s aqui temos pouqu\u00edssimas fam\u00edlias. Mesmo agora com as visitas, no lar de idosos nota-se que as visitas s\u00e3o sempre preenchidas, aqui no lar residencial n\u00e3o\u201d, compara a diretora-t\u00e9cnica do lar residencial.<\/p>\n<p>Por mais que as rela\u00e7\u00f5es familiares da maioria dos clientes do lar residencial esteja comprometida, n\u00e3o foi f\u00e1cil gerir as saudades daqueles que ainda \u201ct\u00eam liga\u00e7\u00e3o com os irm\u00e3os, com os primos e gostam de a sentir e gostam de a ter\u201d. \u201cOs que t\u00eam a fam\u00edlia presente sentem-se abandonados: \u2018Mas porque \u00e9 que ela n\u00e3o vem c\u00e1?\u2019. E quando explic\u00e1mos, passados dois minutos j\u00e1 est\u00e3o a perguntar: \u2018Mas quando \u00e9 que ele vem?\u2019. Mas abandonados \u00e9 muito forte porque fomos tentando sempre manter o contacto\u201d, sublinha \u00c2ngela Dias.<\/p>\n<p>O cuidado em \u201csincronizar\u201d a forma como os colaboradores da institui\u00e7\u00e3o e os familiares falam com os clientes destas val\u00eancias do Centro Social de Brito foi essencial para amenizar a ansiedade e o stress causados por este inimigo invis\u00edvel. \u201cFaz\u00edamos quest\u00e3o que o familiar falasse na mesma linguagem que n\u00f3s porque quanto mais coesa fosse a informa\u00e7\u00e3o para eles e numa quantidade maior eles acabavam por aceit\u00e1-la melhor\u201d, explica a diretora-t\u00e9cnica do lar residencial.<\/p>\n<p>Foi preciso explicar aos clientes do lar residencial porque \u00e9 que n\u00e3o podiam sair, porque \u00e9 que as colaboradoras trabalhavam de m\u00e1scara e porque \u00e9 que n\u00e3o podiam estar com os colegas do centro de atividades ocupacionais.<\/p>\n<p>\u201cO CAO esteve dois meses e meio fechado o que acaba por condicionar um trabalho mais efetivo que foi iniciado em setembro. Embora algumas coisas estejam adquiridas, h\u00e1 comportamentos, formas de estar que j\u00e1 estavam a ser perdidas e hoje temos que retomar esse servi\u00e7o\u201d, acrescenta a diretora t\u00e9cnica do CAO, Adelaide Silva.<\/p>\n<p>Foi preciso explicar de forma \u201cdi\u00e1ria e constante\u201d, recorrendo a ilustra\u00e7\u00f5es e compara\u00e7\u00f5es, a import\u00e2ncia da lavagem das m\u00e3os e outras informa\u00e7\u00f5es relacionadas com este novo coronav\u00edrus e as medidas de prote\u00e7\u00e3o a adotar. \u201cT\u00ednhamos uma jovem que achou que o v\u00edrus era um bicho grande e at\u00e9 perceber porque \u00e9 que ela estava diferente, porque \u00e9 que estava com medo e porque \u00e9 que perguntava constantemente se as portas estavam fechadas, ela vivia aterrorizada\u201d, exemplifica. \u00c2ngela Dias revela ainda que outros clientes como n\u00e3o se aperceberam bem o que se passava tamb\u00e9m n\u00e3o sofreram tanto com isso. \u201cMas temos alguns jovens que n\u00e3o entendiam e ficaram desorientados e at\u00e9 mais agitados\u201d, completa.<\/p>\n<p>O distanciamento social foi o mais dif\u00edcil de conseguir cumprir. \u201cEles v\u00eam e abra\u00e7am\u201d, atira a diretora-t\u00e9cnica do CAO. \u201cPisam todos a linha vermelha\u201d, completa a diretora-t\u00e9cnica do lar residencial que lembra que nas primeiras semanas os clientes estavam a ficar demasiado tristes e com muito stress. \u201cTemos uma menina que tem uma necessidade de abra\u00e7ar diariamente e quando d\u00e1 um abra\u00e7o fica iluminada e fica feliz e estava numa tens\u00e3o enorme e chorava \u00e0 noite e ningu\u00e9m sabia o que era, mas houve um dia que a abracei.\u00a0 N\u00f3s tent\u00e1mos mant\u00ea-los distanciados mas tem momentos que n\u00e3o d\u00e1mos um \u2018chega para l\u00e1\u2019, abra\u00e7amos e seja o que Deus quiser. S\u00e3o maiores as consequ\u00eancias da falta de afeto do que propriamente a possibilidade de virmos a contrair o v\u00edrus\u201d, admite \u00c2ngela Dias.<\/p>\n<p>Os h\u00e1bitos mudaram e instalaram-se. A entrega dos colaboradores do Centro Social de Brito foi total, mas o cansa\u00e7o relacionado com a nova rotina, os cuidados de higieniza\u00e7\u00e3o acrescidos e a ansiedade come\u00e7ou a manifestar-se \u201cmesmo n\u00e3o sendo culpa de ningu\u00e9m\u201d. \u201cTivemos uma equipa fant\u00e1stica, que conseguiu manter-se muito unida, com muita garra para enfrentar isto e socorremos a equipa do lar de idosos\u201d, diz. \u201cO m\u00eas de mar\u00e7o foi dif\u00edcil porque t\u00ednhamos muitos sustos. Qualquer febre, qualquer tosse, qualquer contacto de algu\u00e9m que pudesse ter estado com um infetado era motivo para estarmos com medo\u201d, confessa \u00c2ngela Dias.<\/p>\n<p>Os resultados dos testes de rastreio \u00e0 covid-19 realizados a todos os colaboradores e clientes das institui\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0s pessoas com defici\u00eancia de Guimar\u00e3es tamb\u00e9m deram todos negativo no Centro Social de Brito. \u201cVeio trazer muito al\u00edvio e ainda mais for\u00e7a \u00e0 equipa\u201d, acrescenta.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201c\u00c9 sempre dif\u00edcil estar fora em lay-off, sentir a ansiedade aqui dentro dos colegas, estarmos em casa e sentirmos que quer\u00edamos ser \u00fateis, sentir a preocupa\u00e7\u00e3o de quem c\u00e1 est\u00e1, dos meninos que ficam e daqueles que est\u00e3o em casa. Sentir a preocupa\u00e7\u00e3o at\u00e9 dos pais, este stress\u201d. Adelaide Silva<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>A reabertura do centro de atividades ocupacionais \u00e9 mais um sinal da tentativa de um regresso \u00e0 nova normalidade ainda que a conviv\u00eancia com os colegas do lar residencial n\u00e3o seja poss\u00edvel e, por isso, as saudades apertem. \u201cAcabam por sentir falta. Eu quero ir v\u00ea-los, eu quero cumpriment\u00e1-los, eu quero estar com eles e eles sentem este distanciamento. Esta pandemia acaba por atrapalhar todo o trabalho realizado\u201d, comenta Adelaide Silva.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 clientes em casa porque n\u00e3o se sentem seguros para reiniciar a rotina ou os pais t\u00eam receio e consideram este regresso prematuro. \u201cAlguns pais dizem \u2018eu sei que estou cansado, eu sei que ele precisava de rotina e de sair de casa mas eu tenho que o proteger\u2019. O grupo est\u00e1 reduzido. Temos um jovem que todos os dias chega l\u00e1 [ao quadro de presen\u00e7as] e aponta para umas caras que n\u00e3o est\u00e3o c\u00e1\u201d, observa a diretora-t\u00e9cnica do centro de atividades ocupacionais.<\/p>\n<p>A energia neste momento est\u00e1 concentrada em conseguir ultrapassar esta fase de pandemia, mas mal seja poss\u00edvel a vontade maior \u00e9 de tirar todos os projetos que est\u00e3o na gaveta, adiados por esta crise epidemiol\u00f3gica por covid-19. \u201cN\u00f3s temos muito espa\u00e7o verde aqui \u00e0 volta e pens\u00e1mos fazer com os jovens uma produ\u00e7\u00e3o de ch\u00e1s. Fazer todos os processos: fazer a parte da planta\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e mesmo a parte da embalagem, criando uns saquinhos pr\u00f3prios com a nossa identidade para depois passar para venda ao p\u00fablico\u201d. Este e outros projetos est\u00e3o neste momento \u201cem stand-by\u201d devido \u00e0 crise epidemiol\u00f3gica que Portugal enfrenta desde mar\u00e7o.<\/p>\n<p>A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo a festa de anivers\u00e1rio que ser\u00e1, obrigatoriamente, singela porque est\u00e3o proibidos os ajuntamentos. \u201c\u00c9 uma casa com um ano, um beb\u00e9 a crescer, uma fase t\u00e3o boa e foi travada com este v\u00edrus. Queremos ver esta casa crescer, que se v\u00e1 a pandemia embora para n\u00f3s continuarmos a evoluir\u201d, conclui \u00c2ngela Dias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daqui a 15 dias o centro de atividades ocupacionais (CAO) e o lar residencial do Centro Social de Brito completam um ano de atividade. 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