{"id":3294,"date":"2025-08-14T18:07:32","date_gmt":"2025-08-14T18:07:32","guid":{"rendered":"https:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/?p=3294"},"modified":"2025-08-14T18:07:32","modified_gmt":"2025-08-14T18:07:32","slug":"vencedores-do-concurso-literario-realces","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumdeficiencia.guimaraes.pt\/?p=3294","title":{"rendered":"Vencedores do Concurso Liter\u00e1rio \u201cRealces\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Lusodescendentes (AILD) regressou a Guimar\u00e3es para inaugurar a exposi\u00e7\u00e3o t\u00e1til \u201cEmo\u00e7\u00f5es\u201d e lan\u00e7ar o Concurso Liter\u00e1rio \u201cREALCES\u201d, dirigido a todas as crian\u00e7as e jovens, entre os 8 e os 17 anos, a residir no concelho de Guimar\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Esta iniciativa, que contou a parceria da Amostra de Letras, a C\u00e2mara Municipal de Guimar\u00e3es, a Alian\u00e7a para a Defici\u00eancia Visual (ADV), e a Leya Educa\u00e7\u00e3o, segundo a organiza\u00e7\u00e3o teve como finalidade promover e fomentar junto do p\u00fablico infantil \u201ca import\u00e2ncia da equidade no direito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o cultural atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o da acessibilidade \u00e0 arte\u201d, mas tamb\u00e9m \u201ca import\u00e2ncia de se promover a sa\u00fade oftalmol\u00f3gica\u201d. O tema escolhido para esta I edi\u00e7\u00e3o foi \u201cVer pelo tato\u201d e v\u00e1rios alunos dos agrupamentos de escolas vimaranenses responderam ao repto e apresentaram textos em prosa e verso inspirados neste mote.<\/p>\n\n\n\n<p>Eis a lista dos dez vencedores do \u201cI Concurso Liter\u00e1rio \u201cRealces\u201d, uma iniciativa apresentada durante a inaugura\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o t\u00e1til \u201cEmo\u00e7\u00f5es\u201d que decorreu em maio na Casa da Mem\u00f3ria de Guimar\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1\u00ba Infantojuvenil: Vit\u00f3ria Machado (Escola EB 2,3 Professor Abel Salazar do Agrupamento de Escolas Abel Salazar)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ver com as M\u00e3os<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vejo com as m\u00e3os aquilo que os olhos<\/p>\n\n\n\n<p>nem sempre conseguem mostrar,<\/p>\n\n\n\n<p>porque h\u00e1 segredos escondidos<\/p>\n\n\n\n<p>que s\u00f3 o toque pode revelar.<\/p>\n\n\n\n<p>Passo os dedos devagar,<\/p>\n\n\n\n<p>sobre letras que n\u00e3o se veem,<\/p>\n\n\n\n<p>mas que vivem no papel,<\/p>\n\n\n\n<p>como estrelas que acendem e arrefecem.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo tem mil texturas,<\/p>\n\n\n\n<p>cada uma com um sinal,<\/p>\n\n\n\n<p>h\u00e1 paredes que contam hist\u00f3rias,<\/p>\n\n\n\n<p>e \u00e1rvores com rosto de cristal.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma folha pode dizer<\/p>\n\n\n\n<p>se o vento passou por ali,<\/p>\n\n\n\n<p>uma pedra pode mostrar<\/p>\n\n\n\n<p>o tempo que deixou de cair.<\/p>\n\n\n\n<p>Tocar \u00e9 como escutar<\/p>\n\n\n\n<p>com a pele bem atenta,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00e9 sentir o que h\u00e1 por dentro<\/p>\n\n\n\n<p>de cada coisa que nos enfrenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejo um rosto com a m\u00e3o,<\/p>\n\n\n\n<p>descubro se sorri ou chora,<\/p>\n\n\n\n<p>e mesmo sem ver os olhos,<\/p>\n\n\n\n<p>sei tudo o que vai por fora.<\/p>\n\n\n\n<p>Ver com as m\u00e3os \u00e9 magia,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00e9 arte, \u00e9 descoberta, \u00e9 luz,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00e9 um caminho diferente<\/p>\n\n\n\n<p>que tamb\u00e9m nos leva \u00e0 cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque ver \u00e9 mais que olhar,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00e9 sentir com aten\u00e7\u00e3o,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00e9 ouvir com os dedos quietos<\/p>\n\n\n\n<p>e falar com o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>2\u00ba Infantojuvenil: Francisca Marques (Escola EB1 de Pinheiral do Agrupamento de Escolas das Taipas)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;O escuro que ilumina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o veem a luz, mas veem no escuro. Os olhos fechados ao mundo s\u00e3o janelas Abertas para dentro de si.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao n\u00e3o ver, n\u00e3o sabe do azul, Mas sabe do calor que o azul carrega. Ao n\u00e3o ver, n\u00e3o l\u00ea os rostos, Mas l\u00ea as vozes, as pausas, os sil\u00eancios.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, que tudo vejo, n\u00e3o vejo nada. Perco-me na superf\u00edcie brilhante das coisas, Na mentira das cores, Na ilus\u00e3o das formas.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles, que n\u00e3o veem, Tateiam a verdade com as m\u00e3os, Sentem o mundo pelo cheiro a terra molhada, Pelo som da folha que cai, Pelo leve suspirar de um corpo ao seu lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez queira eu n\u00e3o ver, para aprender a ver. Quem me dera a cegueira que ilumina por dentro, Quem me dera o escuro que clareia o sentido, Quem me dera ser cego para cego deixar de ser.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>3\u00ba Infantojuvenil: Jos\u00e9 Louren\u00e7o Magalh\u00e3es (Escola EB1 de Pinheiral do Agrupamento de Escolas das Taipas)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cVer pelo Tato\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Querido confidente:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes dou por mim a viajar no tempo e a pensar em algumas hist\u00f3rias que a minha m\u00e3e me conta com os olhos carregados de emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando nasci n\u00e3o tive o privil\u00e9gio de receber o colo e o afeto do meu av\u00f4 materno porque j\u00e1 tinha partido. Ferreirinha, por ti, fiz esta viagem para escrever nesta folha uma realidade que tanto te custou e te fez sofrer.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando tinhas sessenta anos e sem que ningu\u00e9m esperasse, come\u00e7aste a perder a vis\u00e3o. Maldita doen\u00e7a das diabetes. Foi tudo t\u00e3o r\u00e1pido e dif\u00edcil. Querias continuar a fazer a tua vida normal, mas foste atrai\u00e7oado. A vida da nossa fam\u00edlia teve de mudar.<\/p>\n\n\n\n<p>Tiveste de deixar de conduzir e de vender ovos aos teus clientes. A minha m\u00e3e j\u00e1 n\u00e3o te acompanhava na entrega das encomendas que tanto gostava, especialmente nos supermercados, onde normalmente lhe oferecias doces. Deixaste de ir ao caf\u00e9 ler o jornal e de fazer as palavras cruzadas. N\u00e3o querias sair de casa. Sentavas-te \u00e0 mesa e a revolta era grande. As l\u00e1grimas escorriam-te pela cara. N\u00e3o conseguias ver a comida. Apalpavas o p\u00e3o, a fruta e as sardinhas assadas na brasa. Escolher a roupa deixou de ser importante. Apenas passavas as m\u00e3os para descobrires de que pe\u00e7a se tratava e de que tecido seria. Passavas as m\u00e3os pelo cabelo e sabias se estava na hora de ir ao barbeiro. Deixaste de fazer a barba todos os dias. Guiavas-te pela casa apalpando as paredes. Sentias o quente e o frio pelas m\u00e3os. Sentias o macio e o \u00e1spero dos objetos pelas m\u00e3os. Quantas vezes sentiste o perigo atrav\u00e9s das m\u00e3os. Enfim\u2026 Nunca as m\u00e3os tiveram uma miss\u00e3o t\u00e3o importante. O sentido do tato, que at\u00e9 a\u00ed parecia ser insignificante, passou a ser a tua luz.<\/p>\n\n\n\n<p>Que pena tenho Ferreirinha, de n\u00e3o ter tido a sorte de sentir as tuas m\u00e3os a pegarem-me ao colo, de passares as tuas m\u00e3os pelo meu cabelo, de me amparares nas quedas, de me dares a m\u00e3o no caminho de casa para a escola, de me ajudares a colar os cromos na caderneta, de me poderes abra\u00e7ar quando marco um golo ou de te dar mais cinco sempre que o nosso Vit\u00f3ria marca um golo. Mas a vida \u00e9 assim.<\/p>\n\n\n\n<p>A minha m\u00e3e fala muito em ti e nunca ser\u00e1s esquecido. Fico t\u00e3o orgulhoso quando me dizem que sou parecido contigo. A vida segue com a esperan\u00e7a de que a Medicina avance e ningu\u00e9m se veja privado de um dos sentidos mais belos da nossa caminhada, a vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A todas as pessoas que tiveram a infelicidade de deixarem de ver como o meu Ferreirinha, deixo uma mensagem de for\u00e7a e de esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Que consigamos sempre ver as cores, sentir os aromas e os cheiros, ouvir os sons, identificar os sabores e sentir as texturas que nos rodeiam.<\/p>\n\n\n\n<p>Que todos os dias sejamos capazes de criar mem\u00f3rias das coisas mais simples da vida e que nunca nos faltem motivos para sonhar.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1\u00aa Men\u00e7\u00e3o honrosa: Luana Neves (Escola B\u00e1sica de Cerca do Pa\u00e7o do Agrupamento de Escolas Arque\u00f3logo M\u00e1rio Cardoso)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ver pelo tato<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sabias que usamos os olhos e a luz para ver tudo o que est\u00e1 \u00e0 nossa volta? N\u00f3s vemos atrav\u00e9s da vis\u00e3o com os olhos, mas precisamos da ajuda da luz para ver. Quando fica escuro, n\u00e3o conseguimos ver e usamos os outros sentidos para explorar o que nos rodeia. Isso acontece tamb\u00e9m com as pessoas cegas, que apesar de n\u00e3o verem conseguem conhecer o mundo com a ajuda dos outros sentidos. Temos cinco sentidos, a vis\u00e3o, o tato, a audi\u00e7\u00e3o, o olfato e tamb\u00e9m o paladar. Com o tato conseguimos sentir as coisas. Gosto de utilizar o tato para mexer em tudo com as m\u00e3os, como por exemplo, nos meus gatos muito fofos. Mas tamb\u00e9m gosto muito de sentir a areia da praia e a relva do parque com os meus p\u00e9s. O tato s\u00e3o uns olhos que sentem tudo. Os ouvidos s\u00e3o como antenas que apanham todos os sons, com eles ou\u00e7o a m\u00fasica no carro no caminho da escola e tamb\u00e9m as vozes dos meus amigos quando estamos a brincar. Com o nariz podemos cheirar as flores e a comida muito boa da minha m\u00e3e que depois podemos provar com o paladar da nossa boca. Todos os sentidos s\u00e3o importantes e eles trabalham como uma equipa, quando um falha os outros ajudam. \u00c9 poss\u00edvel explorar o mundo com os olhos, mas tamb\u00e9m com as m\u00e3os, a boca, os ouvidos e at\u00e9 o nariz!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>2\u00aa Men\u00e7\u00e3o honrosa: In\u00eas Barros (Escola EB 2,3 Professor Abel Salazar do Agrupamento de Escolas Abel Salazar)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As m\u00e3os que mostram o que n\u00e3o \u00e9 visto<\/p>\n\n\n\n<p>Pelos dedos, o mundo se descobre,<\/p>\n\n\n\n<p>Sem vis\u00e3o, mas com um sorriso a brilhar,<\/p>\n\n\n\n<p>No toque o que os olhos desconhecem,<\/p>\n\n\n\n<p>Com a pele o mist\u00e9rio desvendar.<\/p>\n\n\n\n<p>Texturas palpadas com medo<\/p>\n\n\n\n<p>Cada linha, cada forma, uma d\u00favida<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo se torna num segredo<\/p>\n\n\n\n<p>Mas atrav\u00e9s das m\u00e3os tudo muda.<\/p>\n\n\n\n<p>O sol e o vento, o tato desvenda<\/p>\n\n\n\n<p>Desconhecida \u00e9 a cor do c\u00e9u e do mar<\/p>\n\n\n\n<p>O sorriso nunca ser\u00e1 algo que se entenda<\/p>\n\n\n\n<p>Mas existe a voz para acalmar.<\/p>\n\n\n\n<p>A caixa \u00e9 quadrada, a flor amarela<\/p>\n\n\n\n<p>A abelha voa, o cato tem espinhos<\/p>\n\n\n\n<p>O toque serve de porta e janela<\/p>\n\n\n\n<p>Para os olhos que seguem outros caminhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os olhos n\u00e3o veem, nem observam<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os dedos tocam e sentem<\/p>\n\n\n\n<p>Com o toque, as ang\u00fastias acalmam<\/p>\n\n\n\n<p>E os sentimentos esses n\u00e3o mentem<\/p>\n\n\n\n<p>No sil\u00eancio do olhar, h\u00e1 um mundo escuro<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo se esconde, mas pode ser tocado<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo desliza num fio t\u00e3o duro<\/p>\n\n\n\n<p>E o sonho desperta, mesmo calado.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo urge no invis\u00edvel,<\/p>\n\n\n\n<p>No ru\u00eddo do n\u00e3o visualizado,<\/p>\n\n\n\n<p>E a vis\u00e3o embora imposs\u00edvel,<\/p>\n\n\n\n<p>Vive inteira no que \u00e9 tocado.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>3\u00aa Men\u00e7\u00e3o honrosa: Maria Francisca Sobral (Escola B\u00e1sica de Cerca do Pa\u00e7o do Agrupamento de Escolas Arque\u00f3logo M\u00e1rio Cardoso)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ver com o Tato<\/p>\n\n\n\n<p>Ontem \u00e0 noite, aconteceu uma coisa estranha. De repente, a luz foi abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1vamos em casa, tudo parecia normal, at\u00e9 que PUF! Ficou tudo escuro. N\u00e3o v\u00edamos nada, nadinha mesmo! A televis\u00e3o desligou-se, as luzes deixaram de brilhar e at\u00e9 o telem\u00f3vel ficou sem bateria. Fic\u00e1mos no escuro total! No come\u00e7o, foi um bocadinho assustador. And\u00e1vamos aos trope\u00e7\u00f5es pela casa, \u00e0 procura de uma vela ou de uma lanterna. Quando finalmente encontr\u00e1mos uma, acendemo-la e ficou tudo com uma luz pequenina, amarela e quentinha. Era diferente, mas bonito de certa forma. Mesmo assim, pens\u00e1mos: \u201cComo seria viver sempre assim, no escuro?\u201d Foi ent\u00e3o que a m\u00e3e disse: \u2014 H\u00e1 pessoas que vivem sem ver, todos os dias. Mesmo com a luz acesa, n\u00e3o conseguem ver como n\u00f3s. Elas s\u00e3o cegas.<\/p>\n\n\n\n<p>Fic\u00e1mos muito calados. Nunca t\u00ednhamos pensado nisso com aten\u00e7\u00e3o. Como ser\u00e1 viver sem ver? Como saber onde est\u00e3o as coisas? Como saber quem est\u00e1 \u00e0 nossa frente? A verdade \u00e9 que essas pessoas conseguem viver, brincar, estudar e trabalhar como qualquer um de n\u00f3s. Apenas usam os seus sentidos de forma diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos n\u00f3s temos maneiras diferentes de conhecer o mundo, mesmo quando n\u00e3o vemos com os olhos, h\u00e1 outras formas de descobrir o que est\u00e1 \u00e0 nossa volta. Isso acontece gra\u00e7as aos nossos cinco sentidos. S\u00e3o como superpoderes que usamos todos os dias, mesmo sem reparar.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro sentido \u00e9 a vis\u00e3o. Com os olhos, conseguimos ver as cores, as pessoas, os lugares, os desenhos, as letras e tudo o que est\u00e1 \u00e0 nossa volta. Mas quando a vis\u00e3o n\u00e3o funciona, os outros sentidos ficam mais atentos, mais fortes, prontos para ajudar.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro sentido muito importante \u00e9 o tato. Sentimos com a toque, principalmente com as m\u00e3os. Quando tocamos em algo, percebemos se \u00e9 quente ou frio, se \u00e9 liso ou \u00e1spero, se \u00e9 pequeno ou grande. As pessoas cegas usam muito o tato para descobrir o mundo. \u00c9 como se tivessem olhos nas pontas dos dedos!<\/p>\n\n\n\n<p>Temos tamb\u00e9m a audi\u00e7\u00e3o, que nos permite ouvir. Escutamos as vozes das pessoas, o barulho dos carros, da chuva, do vento, da m\u00fasica e de tantas outras coisas. Quem n\u00e3o v\u00ea com os olhos costuma ouvir com muita aten\u00e7\u00e3o, para perceber onde est\u00e1 e o que se passa \u00e0 sua volta. Os seus ouvidos s\u00e3o como radares!<\/p>\n\n\n\n<p>O olfato \u00e9 muito importante. Com o nariz, sentimos os cheiros \u2014 o perfume de algu\u00e9m, o aroma do bolo no forno, o cheiro da relva molhada ou do mar. Os cheiros ajudam-nos a lembrar de momentos especiais, de pessoas queridas e de lugares que gostamos.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o podemos esquecer o paladar, o sentido do sabor. Quando comemos, usamos a l\u00edngua para perceber se algo \u00e9 doce, salgado, azedo ou amargo. As pessoas que n\u00e3o veem muitas vezes saboreiam os alimentos com mais calma, prestando aten\u00e7\u00e3o a cada pedacinho. Todos estes sentidos s\u00e3o preciosos. Cada um tem o seu papel. E quando um n\u00e3o funciona bem, os outros ajudam. O corpo \u00e9 mesmo muito inteligente!<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas que n\u00e3o veem aprendem a sentir o mundo com os ouvidos, o nariz, a pele, a boca\u2026 e com o cora\u00e7\u00e3o. Usam todos os sentidos para perceber o que est\u00e1 \u00e0 sua volta. Ver com as m\u00e3os? Como assim? Sim! Quando tocam em alguma coisa, sentem se \u00e9 macia, dura, quente, fria, lisa ou rugosa. As m\u00e3os funcionam como olhos. Sentem os objetos e ajudam a pessoa a saber o que est\u00e1 ali. Isso \u00e9 o tato a funcionar! Al\u00e9m disso, essas pessoas ouvem muito bem. A audi\u00e7\u00e3o ajuda-as a perceber quem est\u00e1 a chegar, se h\u00e1 tr\u00e2nsito, se algu\u00e9m est\u00e1 a falar. Conseguem ouvir o som da \u00e1gua, das folhas a mexer com o vento, dos passos a aproximarem-se. S\u00e3o muito atentas! Tamb\u00e9m usam o nariz para sentir os cheiros \u2014 o cheiro do jantar, das flores, do perfume de algu\u00e9m, da terra molhada depois da chuva. Esses cheiros ajudam a perceber o que est\u00e1 \u00e0 volta, mesmo sem ver. E, claro, usam a boca e a l\u00edngua para sentir bem os sabores: o doce dos bolos, o salgado das batatas fritas, o azedo do lim\u00e3o, o amargo do caf\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentem o sabor das coisas com mais cuidado e aproveitam melhor cada refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas estas pessoas n\u00e3o usam os sentidos s\u00f3 para viver o dia a dia. Elas tamb\u00e9m aprendem a ler \u2014 com os dedos! Existe um sistema chamado Braille, que usa pequenos pontinhos em relevo. Os dedos passam por cima desses pontinhos e conseguem \u201cver\u201d as letras e palavras. Assim, podem ler livros, bilhetes, placas, etiquetas\u2026 tudo com o tato! E como andam na rua sem ver? Muitas usam uma bengala especial, que toca no ch\u00e3o e ajuda a descobrir se h\u00e1 degraus, buracos ou obst\u00e1culos. Outras pessoas t\u00eam c\u00e3es-guia, que s\u00e3o c\u00e3es muito bem treinados para ajudar. Esses c\u00e3es sabem quando parar, quando andar, quando atravessar a estrada. S\u00e3o amigos fi\u00e9is e muito espertos.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas cegas podem fazer quase tudo. Estudam, trabalham, tocam instrumentos, escrevem no computador, mandam mensagens, cozinham, cuidam da casa, passeiam no parque, v\u00e3o ao cinema para invisuais\u2026 Vivem como todos n\u00f3s, s\u00f3 que de um jeito diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 por algu\u00e9m n\u00e3o ver com os olhos que n\u00e3o pode ter uma vida feliz.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas pessoas s\u00e3o muito corajosas. Aprendem muitas coisas com esfor\u00e7o, paci\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o. E fazem tudo com a ajuda dos seus sentidos\u2026 e do seu cora\u00e7\u00e3o. Ver com o cora\u00e7\u00e3o? Isso existe? Claro que sim! Ver com o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 sentir quando um amigo est\u00e1 triste, mesmo que n\u00e3o diga nada. \u00c9 dar um abra\u00e7o na hora certa. \u00c9 ajudar sem pedir nada em troca. \u00c9 escutar com aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 estar presente com carinho. Ver n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com os olhos. \u00c9 tamb\u00e9m tocar com cuidado, ouvir com aten\u00e7\u00e3o, cheirar com curiosidade, saborear com calma. \u00c9 usar todos os sentidos para conhecer e sentir o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando ontem a luz se apagou, sentimo-nos perdidos por uns instantes. Mas foi nesse momento que percebemos como usamos os nossos sentidos todos os dias \u2014 mesmo sem pensar. Imagina agora que vivias num lugar onde n\u00e3o se v\u00ea nada com os olhos. Como seria? Talvez come\u00e7asses a ouvir melhor os sons \u00e0 tua volta. A tocar nas coisas com mais aten\u00e7\u00e3o. A cheirar o ar e descobrir o que est\u00e1 por perto. A sentir o ch\u00e3o com os p\u00e9s. A provar cada alimento com mais cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo pode ser bonito mesmo no escuro, porque est\u00e1 cheio de sons, cheiros, texturas, sabores\u2026 e sentimentos. Ent\u00e3o, da pr\u00f3xima vez que quiseres perceber melhor o mundo, fecha os olhos por um momento. Toca nas coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Escuta os sons. Cheira os cheiros. Prova a comida com aten\u00e7\u00e3o. Sente com o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ver \u00e9 importante, sim. Mas sentir com todos os sentidos \u00e9 ainda mais especial.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas que vivem sem ver ensinam-nos uma grande li\u00e7\u00e3o: A luz mais importante n\u00e3o est\u00e1 nos candeeiros. Est\u00e1 dentro de n\u00f3s. \u00c9 a luz da amizade, da ajuda, do carinho e do cuidado que damos uns aos outros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1\u00ba Juvenil: Carolina Oliveira (Escola EB 2,3 Professor Abel Salazar do Agrupamento de Escolas Abel Salazar)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ver pelo tato<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ver pelo tato \u00e9 como sonhar<\/p>\n\n\n\n<p>\u00e9 pintar o mundo como imaginar<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ver as coisas belas que o mundo cont\u00e9m<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo n\u00e3o as conseguindo ver<\/p>\n\n\n\n<p>Ver n\u00e3o \u00e9 apenas luz<\/p>\n\n\n\n<p>\u00e9 o toque que traduz<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o precisamos de olhos abertos<\/p>\n\n\n\n<p>para ver os caminhos certos<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 fraqueza nem limita\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\u00e9 for\u00e7a para crescer<\/p>\n\n\n\n<p>Com as m\u00e3os podemos ver<\/p>\n\n\n\n<p>o que o cora\u00e7\u00e3o quer dizer<\/p>\n\n\n\n<p>O olho n\u00e3o v\u00ea, mas a pele sente<\/p>\n\n\n\n<p>Ver com o tato \u00e9 ver diferente.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>2\u00ba Juvenil: In\u00eas Salgado (Escola Secund\u00e1ria Francisco de Holanda do Agrupamento de Escolas Francisco de Holanda)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sinto para ver<\/p>\n\n\n\n<p>Longas horas\u2026 longos dias sem fim,<\/p>\n\n\n\n<p>Contra o vidro espelhado, culpei-me a mim<\/p>\n\n\n\n<p>por toda a nova curva ou sali\u00eancia que feria<\/p>\n\n\n\n<p>O meu pobre agrado e minha triste alegria.<\/p>\n\n\n\n<p>Rituais di\u00e1rios, constantes e intermitentes&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Horas perdidas em perfeita agonia<\/p>\n\n\n\n<p>Num puro desgosto de um corpo que via:<\/p>\n\n\n\n<p>Corpo alterado, que precisava de ser mudado.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma nova caricatura pintava<\/p>\n\n\n\n<p>De cada vez que me encarava;<\/p>\n\n\n\n<p>Grande vergonha me tomou ref\u00e9m<\/p>\n\n\n\n<p>Aceitei a dor, segui com desd\u00e9m\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Perdi a no\u00e7\u00e3o da minha imagem<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 me encontrar num ponto de viragem;<\/p>\n\n\n\n<p>Invadiu-me profunda revolta\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Levou-me para um caminho que me queria morta.<\/p>\n\n\n\n<p>Inocentemente, ouvi a tr\u00e1gica decis\u00e3o,<\/p>\n\n\n\n<p>Segui os conselhos dados pela minha vis\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Nada mais me for\u00e7ou a compreender<\/p>\n\n\n\n<p>Se aquela estrada era mesmo segura de percorrer.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditei que tudo sabia,<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditei que via tudo quando nada via;<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditei que o espelho me bem aconselhava<\/p>\n\n\n\n<p>Quando, na verdade, me mentia&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Tantos os perigos quando se ouve apenas o olhar,<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se procura a perfei\u00e7\u00e3o na apar\u00eancia,<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto lentamente se esvazia a ess\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p>E se corrompe o nosso bem-estar!<\/p>\n\n\n\n<p>Passaram noventa pesados dias,<\/p>\n\n\n\n<p>De restri\u00e7\u00e3o sem limite&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ansiedade entrando sem convite<\/p>\n\n\n\n<p>A cada m\u00ednimo apetite.<\/p>\n\n\n\n<p>Gritos surdos e cegas vontades<\/p>\n\n\n\n<p>Levaram-me at\u00e9 ao precip\u00edcio,<\/p>\n\n\n\n<p>Cujo fundo n\u00e3o tinha ind\u00edcio<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer queda ou sa\u00edde suaves.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela \u00faltima vez me vi<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de seguir para o abismo;<\/p>\n\n\n\n<p>Chorei, ri, gritei- at\u00e9 que,<\/p>\n\n\n\n<p>Por um instante\u2026 os olhos fechei.<\/p>\n\n\n\n<p>Parou, por momentos\u2026 a minha dor;<\/p>\n\n\n\n<p>O mar revolto amainou:<\/p>\n\n\n\n<p>Inspira\u2026 Expira\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Viva estou.<\/p>\n\n\n\n<p>Provei o ar doce que emanava,<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto, lentamente, me acalmava\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, os olhos n\u00e3o tornei a abrir<\/p>\n\n\n\n<p>Com medo de me aproximar novamente<\/p>\n\n\n\n<p>De vontades fatais,<\/p>\n\n\n\n<p>De decis\u00f5es duras demais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o substitui a vis\u00e3o distorcida<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo tato que me d\u00e1 vida&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo toque que me permite conhecer<\/p>\n\n\n\n<p>A forma de tudo o que desejo entender.<\/p>\n\n\n\n<p>Sou humana, sou sens\u00edvel&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, compreendo:<\/p>\n\n\n\n<p>Que n\u00e3o preciso de olhos para ver,<\/p>\n\n\n\n<p>Quando pela minha pele posso ler.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade disp\u00f5e-se diante de mim<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 dist\u00e2ncia de um bra\u00e7o estendido,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 proximidade de um gesto enternecido<\/p>\n\n\n\n<p>Que se revela t\u00e3o simples assim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Abro espa\u00e7o \u00e0s mais vagas sensa\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>Da press\u00e3o que os meus p\u00e9s fazem no solo<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 leveza de um len\u00e7ol no meu colo;<\/p>\n\n\n\n<p>Busco agora o f\u00edsico e afasto as ilus\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7o a descobrir o meu verdadeiro corpo;<\/p>\n\n\n\n<p>A construir um autorretrato honesto,<\/p>\n\n\n\n<p>Que me faz viajar para um lugar modesto.<\/p>\n\n\n\n<p>Onde posso ser\u2026 e sentir quem sou.<\/p>\n\n\n\n<p>No meu toque encontro agora um caminho seguro,<\/p>\n\n\n\n<p>Caminho longo, digno e puro,<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo qual vou poder limitar o meu contorno<\/p>\n\n\n\n<p>Num desenho sem transtorno.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 n\u00e3o temo mais a minha c\u00f3pia invertida<\/p>\n\n\n\n<p>Na superf\u00edcie que, em tempos, me amea\u00e7ou a vida;<\/p>\n\n\n\n<p>Dela j\u00e1 n\u00e3o preciso para me conhecer:<\/p>\n\n\n\n<p>Pois tenho o tato comigo, e agora sinto para ver&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>3\u00ba Juvenil: Sofia Martins (Escola EB 2,3 Professor Abel Salazar do Agrupamento de Escolas Abel Salazar)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VER PELO TATO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um toque \u00e9 mais forte do que um simples olhar,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00e9 ir mais fundo, \u00e9 saber o que procurar.<\/p>\n\n\n\n<p>Sorte n\u00e3o \u00e9 poder ver,<\/p>\n\n\n\n<p>Sorte \u00e9 poder sentir,<\/p>\n\n\n\n<p>Sentir o mundo como ningu\u00e9m,<\/p>\n\n\n\n<p>como ningu\u00e9m sentiu,<\/p>\n\n\n\n<p>Amar como poucos amaram,<\/p>\n\n\n\n<p>Sorrir como todos sorriram,<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 sorrir de forma diferente,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 sorrir verdadeiramente,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o sorriso de quem sente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ver pelo Tato,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00e9 t\u00e3o colorido como ver pelos olhos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1\u00aa Men\u00e7\u00e3o honrosa: Rui Ribeiro (Escola EB 2,3 Professor Abel Salazar do Agrupamento de Escolas Abel Salazar)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VER PELO TATO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ver \u00e9 uma arte,<\/p>\n\n\n\n<p>uma arte minuciosa,<\/p>\n\n\n\n<p>h\u00e1 quem veja com os olhos,<\/p>\n\n\n\n<p>mas h\u00e1 quem tenha essa arte nas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>O tato \u00e9 uma linguagem silenciosa,<\/p>\n\n\n\n<p>com o tato v\u00ea-se al\u00e9m do mundo,<\/p>\n\n\n\n<p>Usa-se a intui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es em: <a 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