As sementes foram lançadas no evento “O futuro é já hoje!”

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As sementes foram lançadas no evento “O futuro é já hoje!”

O evento final do projeto “Seeds of Change – Take Yours and Spread, financiado pelo programa Erasmus+ e focado na capacitação para os direitos e deveres de jovens com deficiência, que se realizou na passada segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023, contou com a presença de cerca de centena e meia de pessoas, entre elas muitos jovens que puderam debater os problemas que sentem no dia a dia com os decisores presentes.

Entre eles, estavam a vice-presidente e vereadora da educação Adelina Pinto, a vereadora da ação social Paula Oliveira e o vereador do desporto e da juventude Nelson Felgueiras, da Câmara Municipal de Guimarães, parceira na organização deste evento: “O futuro é já hoje!”.

Este evento, enquadrado numa Atividade de Participação Juvenil dentro do programa Erasmus+, juntou no Paço dos Duques de Bragança, quase duas centenas de pessoas interessadas em discutir os direitos da população com deficiência. Mas os grandes protagonistas desde dia foram os jovens que puderam reclamar o respetivo espaço na tomada de decisões fazendo jus ao lema “Nada sobre nós, sem nós”.

“Eu sou daquelas que passei do ativismo para o gabinete, porque no gabinete também se faz ativismo”, começa por dizer Manuela Ralha, vereadora da cultura e dos direitos sociais da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.  “E a nossa máxima tem que ser aplicada em todas as dimensões da vida. Acho que nós, pessoas com deficiência, temos que estar nos lugares cimeiros e de decisão porque sabemos o que esta população, seja qualquer for a tipologia de deficiência, passa e só agarrando as decisões com as nossas próprias mãos é que conseguimos transformar as sociedades e os nossos territórios”, defendeu.

A partilha das opiniões e testemunhos dos jovens com os decisores políticos presentes abordou temas como a educação, a formação e a empregabilidade. Além disso, também se falou do turismo, lazer, cultura e desporto, assim como de acessibilidade e mobilidade.

“As minhas desculpas enquanto Câmara Municipal de Guimarães por estas inconveniências que vieram encontrar em Guimarães, não é uma cidade fácil e temos muitos problemas. Gostaria de agradecer muito esta partilha que é fundamental. É preciso pensar muito bem em todas as áreas de acessibilidades, não só as físicas que muitas vezes é ao que estamos mais sensíveis”, referiu Adelina Pinto

Uma das questões debatidas foi o transtorno causado pelas trotinetes em relação à circulação das pessoas com mobilidade condicionada, algo que a vice-presidente da autarquia vimaranense considerou que “é uma questão de cidadania, mais do que tudo”. “É algo que nós, câmara, temos consciência porque as vemos na rua, em cima das árvores, estava uma dentro da árvore de natal, acontecem assim uns milagres”, começa por enumerar Adelina Pinto. “E hoje trouxeram para mim, uma questão que eu não tinha pensado: a questão das trotinetes enquanto barreira também e o facto delas ficarem bloqueadas e serem um obstáculo muito grande. Há muito trabalho a fazer nesta área”, admitiu.

Houve oportunidade de apresentar o esboço da carta de recomendações às pessoas presentes no evento, com o intuito de disseminar os resultados do projeto e permitir a sua incorporação na criação, reformulação e monitorização de políticas, estratégias, recomendações e diretrizes. O melhor ficou para o fim e a fechar o evento, deu-se o debate sobre a importância da filosofia de vida independente.

“Na filosofia de vida independente quem tem o poder é a pessoa com deficiência: Tem o poder de decidir, tem o poder de dizer o que é que quer, tem o poder de dizer ‘eu não quero viver num lar’, tem o poder de dizer ‘eu quero viver numa casa’”, explica Jorge Falcato um ativista e defensor desta filosofia de vida. “Mas muitas vezes o termo vida independente é apropriado por conceções que o deturpam e devo alertar para as residências de autonomização que, quanto a mim, são novas pequenas instituições”, avalia o também arquiteto. O presidente da direção do Centro de Vida independente considera que o Projeto Piloto de Apoio à Vida Independente é um projeto de assistência pessoal e que esta é apenas uma das ferramentas da vida independente.  “Vida independente passa por termos habitação acessível passa por termos educação inclusiva, passa por termos oportunidades de emprego, passa por tudo aquilo que diz respeito à vida das pessoas”, enumera este agente de mudança sénior.

A antecipar este dia cheio de emoções, no domingo, realizou-se um convívio no café-concerto do Centro Cultura Vila Flor que contou com a DJ Catarina Oliveira e com a presença dos agentes de mudança juniores que se divertiram, dançaram e puderam descontrair um pouco da tarde de trabalho e descansar das viagens realizadas rumo à cidade-berço.

“No domingo e segunda-feira, estive presente num projeto que me representa enquanto cidadã e pessoa com deficiência”, avança Ana Cláudia Vieira, uma agente de mudança junior participante no projeto. “Aquilo que eu vi nestes dois dias, foi mágico, diferentes incapacidades a lutarem por uma sociedade que seja mais inclusiva. Na minha opinião não deveríamos lutar porque apesar de sermos diferentes, somos todos iguais, e como tal deveríamos ter direitos iguais”, refere a jovem.

“Seeds of Change – Take yours and spread” é um projeto desenvolvido pelo Núcleo de Inclusão, Comunicação e Media que contou com a parceria do Centro de Vida Independente para identificar os jovens com deficiência espalhados por Portugal e capacitá-los enquanto agentes de mudança. Este projeto recebeu em Guimarães, tanto neste evento, como no bootcamp realizado em julho, pessoas de todo o país e, segundo a organização, superou as expetativas propostas na candidatura realizada ao programa de financiamento Erasmus+. “Apesar das dificuldades logísticas e de mobilização de tantos jovens, conseguimos envolver mais jovens e decisores do que estávamos à espera, principalmente neste evento final”, analisa a coordenadora de projetos Erasmus do Núcleo de Inclusão, Comunicação e Media, Cláudia Pires.

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