Quarentena de treino: Manuel Mendes corre em casa

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Quarentena de treino: Manuel Mendes corre em casa

O maratonista Manuel Mendes, por esta altura, estaria na reta final da preparação para a Taça do Mundo de Maratona do Comité Paralímpico Internacional que estava prevista realizar-se a 26 de abril, em Londres, no Reino Unido. Mas tal como a maioria dos portugueses, o atleta paralímpico está em casa em isolamento social preventivo a acatar as orientações das autoridades sanitárias e assim contribuir, como pode, para a diminuição da velocidade de propagação da pandemia covid-19.

Manuel Mendes está habituado a correr para ganhar medalhas. A última arrecadou-a em janeiro ao conquistar o título de Campeão Nacional de Estrada ao vencer a corrida dos Campeões, numa prova que se realizou no Jamor, em Oeiras. O atleta do Vitória Sport Clube somou, assim, o sexto troféu consecutivo nesta competição anual.

Mas agora o desafio é outro: numa prova em que todos participam, o atleta paralímpico tem que ficar em casa o máximo de tempo possível para conter a propagação deste novo coronavírus que colocou o mundo numa crise de saúde pública. “Temos que nos focar naquilo que realmente importa que é o nosso bem-estar social e familiar e que este pesadelo passe o mais rápido possível e que se possa o mais brevemente possível voltar a ter uma vida normal”, refere Manuel Mendes em entrevista ao Fórum Municipal.

O atleta de alta competição ia disputar a 26 de abril a Maratona de Londres 2020 mas esta prova foi adiada para 04 de outubro devido à pandemia covid-19. “Isto não é altura da gente olhar para o próprio umbigo”, começa por dizer Manuel Mendes. “Não era aquilo que eu queria e estava a sentir-me bastante bem, a preparação estava a correr muito bem mas com o tempo eu fui percebendo que a Maratona não se ia realizar e fui continuando a treinar até que surgisse a confirmação”, lembra.

O atleta vimaranense assume que embora não seja agradável, esta “é uma questão que tem que se pôr completamente de lado” porque a prioridade agora é outra: “A vida vale muito mais do que qualquer competição por muito importante que seja e por muito desejo que se tenha de lá estar, é altura de pensarmos em estar todos bem e depois o que tiver que ser, será”.

“Nota-se tudo fechado, pouca gente na rua, as que se veem parecem desconfiadas, com um olhar distante porque estamos a defendermo-nos de um inimigo que não sabemos onde está, é invisível. É uma coisa estranhíssima que a gente nunca pensou viver uma situação semelhante e isto é terrível e vai deixar obviamente consequências em muita gente”. Manuel Mendes

Manuel Mendes não está a trabalhar desde que se decretou o estado de emergência e só sai de casa para o que é estritamente necessário. “Estou em casa com a minha família como milhares de pessoas pelo mundo fora e estou a tentar acompanhar a evolução que isto tem e a aguardar com serenidade o mais possível”.

Além disso, como ninguém disse que o maratonista tinha que parar de correr, transformou os passeios higiénicos em corridas higiénicas dentro de quatro paredes. “Adquiri um tapete para me ir exercitando e não deitar a preparação toda a zero”, revela.

#UMCONSELHODADGS: 30 minutos/dia de atividade física de intensidade pelo menos moderada

O atleta afirma que “o desporto não é só a competição nem a vertente competitiva” e, em jeito de concordância a Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência associou-se ao Instituto Português do Desporto e Juventude, na promoção das campanhas sob os lemas #BeActive e #SERATIVOEMCASA com a intenção de estimular à prática de atividade física. “Enquanto estou ali a correr uma hora, uma hora e meia na passadeira estou mais liberto, não estou a pensar tanto tempo nesta situação que está a atormentar toda a gente e é um bocado libertador nesse sentido também”, admite.

Fica o conselho do atleta e destas entidades preocupadas com o sedentarismo que esta conjuntura de pandemia representa, deixando este alerta à população portuguesa para aumentarem os níveis de realização de atividade e exercício físico e de desporto mesmo a partir de casa. “Aliás, eu até em jeito de brincadeira digo que estou a levar uma vida de atleta profissional porque treino duas, três vezes por dia, descanso depois do almoço. Quando estou em estágio é este tipo de vida que levo e faz de conta que estou em estágio a preparar uma prova”, conta.

Foi precisamente há um ano que Manuel Mendes, ao terminar a Taça do Mundo de Maratona do Comité Paralímpico Internacional (IPC) em quarto lugar, garantiu uma vaga para representar Portugal na modalidade de atletismo em Tóquio2020 marcado para o período de 25 de agosto a 6 de setembro.

O atleta nos Jogos Paralímpicos Tóquio2020 vai tentar repetir ou superar o feito realizado em 2016 no Rio de Janeiro ao conquistar a medalha de bronze com o tempo de 2:49.57 horas, numa prova em que a medalha de ouro foi conquistada pelo chinês Li Chanoyan, com 2:33.35, e a de prata pelo espanhol Abderrahmam Khamouch, com 2:37.01.

O atleta nos Jogos Paralímpicos Tóquio2020 vai tentar repetir ou superar o feito realizado em 2016 no Rio de Janeiro ao conquistar a medalha de bronze com o tempo de 2:49.57 horas, numa prova em que a medalha de ouro foi conquistada pelo chinês Li Chanoyan, com 2:33.35, e a de prata pelo espanhol Abderrahmam Khamouch, com 2:37.01.

Contudo, os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Tóquio 2020 foram adiados e no final do mês foi confirmada a nova data para a respetiva realização: 24 de agosto a 5 de setembro de 2021.

“Realmente é um sonho ir aos Jogos, mas se Deus quiser só está adiado. Se não estou lá este ano estarei no próximo tão bem preparado ou melhor por isso não vamos ficar deprimidos e a chorar”, confessa Manuel Mendes.

O presidente do Comité Paralímpico Internacional, Andrew Parsons, considerou esta decisão acertada e como sendo a “única opção lógica” tendo em consideração a dificuldade de salvaguardar as vidas humanas num evento desportivo de tal magnitude face à situação pandémica atual. “Quando os Jogos Paralímpicos finalmente tiverem lugar em Tóquio no  próximo ano, serão uma celebração global espetacular da humanidade que se torna novamente una”, realçou Andrew Parsons.

O Comité Paralímpico Internacional comunicou ainda que “as quotas asseguradas até à data por atletas e países mantêm-se válidas e que irá agora trabalhar em cooperação com as federações internacionais de modalidade na definição de novos critérios de qualificação para as vagas ainda em aberto”, lê-se no site do Comité Paralímpico de Portugal.

“Eu já estava qualificado para Tóquio. Em condições normais sabemos quais são as regras. Com esta situação vai haver regras novas. É tudo novo ninguém estava preparado para isto”, conclui Manuel Mendes que, tal como os restantes colegas, está a aguardar por mais informações em relação ao futuro enquanto atleta de alta competição.

 

A campanha #BeActive e #SERATIVOEMCASA pode ser acompanhada em:
https://ipdj.gov.pt/
https://beactiveportugal.ipdj.pt/
https://www.facebook.com/serativoemcasa/
https://www.instagram.com/serativoemcasa/

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Fórum editor

O Fórum Municipal das Pessoas com Deficiência é um órgão informal de debate, de consulta e informação que funciona com o apoio da Divisão da Ação Social da Câmara Municipal de Guimarães e que, em 2018, completa 15 anos de existência. Composto por representantes de associações e instituições públicas e privadas, pessoas com deficiência e respetivos representantes o Fórum assume como principais funções a promoção e organização de debates temáticos e de ações e projetos de interesse para as pessoas com deficiência, assim como a apresentação de propostas e sugestões dirigidas a este público. Podem fazer parte do Fórum associações e instituições públicas e privadas, com personalidade jurídica, pessoas com deficiência e seus representantes. Os membros devem ser registados.

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