As férias (des)confinadas nas instituições vimaranenses

PorFórum

As férias (des)confinadas nas instituições vimaranenses

As férias de verão em tempos de pandemia exigem às equipas das instituições vimaranenses de apoio a pessoas com deficiência uma gestão criativa das atividades a desenvolver.

As idas à praia, à piscina, os piqueniques e passeios diversos são agora escassos e implicam uma organização logística rigorosa que garanta a segurança de todos e evite potenciais contágios por covid-19.

Esta pandemia chegou a Portugal a 02 de março. A partir de 16 de março os centros de atividades ocupacionais (CAO) encerraram e ficou interdita a entrada de outras pessoas que não fossem os funcionários nas instituições, incluindo os familiares de utentes dos lares residenciais que, por sua vez, deixaram de ir a casa ao fim-de-semana. Procedeu-se também ao cancelamento das várias atividades do exterior, incluindo as consultas de rotina, terapias e outras iniciativas de lazer.

Resumindo: os clientes que frequentam as instituições vimaranenses da área da diversidade funcional/deficiência estão em isolamento social há cerca de quatro meses.

E durante este período muita coisa mudou, inclusivamente, a forma como as instituições têm gerido as atividades que desenvolvem. A Cercigui optou por manter as atividades circunscritas aos espaços existentes na instituição porque consideram que ao evitar as saídas se torna “mais fácil a proteção”. “Com o lar residencial em isolamento e a fazer atividades no espaço exterior das instalações de S. João de Ponte, os CAOs funcionam apenas com atividades internas. Mas temos sido criativos e ainda há cerca de uma semana fizemos uma sessão de poesia declamada em homenagem à Amália, sobremesas de verão, etc”, conta a responsável de marketing e de comunicação, Clara Paredes Castro. Apenas os clientes do Centro de Reabilitação e Formação Profissional “efetuaram uns piqueniques no parque para encerramento das atividades letivas”.

As instituições foram retomando de forma gradual a “nova normalidade”, mas o confinamento social estendeu-se depois do estado de emergência porque, além de muitos dos clientes pertencerem aos grupos de risco, torna-se difícil garantir nas saídas todas as exigências de segurança e higiene necessárias para evitar potenciais contágios.

“Tudo depende muito daquilo que for o panorama atual. Nós estamos a trabalhar quase ao dia. Não há propriamente um planeamento mensal que era o que habitualmente tínhamos. Neste momento a equipa na semana anterior prepara a eventual saída que temos prevista e vamos jogando por aí. É trabalhar em cima do joelho mas é o que neste momento é possível”, começa por explicar a diretora-técnica da Associação de Paralisia Cerebral de Guimarães, Cláudia Esteves.

Tal como a maioria das instituições a APCG adquiriu piscinas insufláveis para fazer frente aos dias de calor que se fazem sentir no verão. “Nós fazíamos bastantes saídas ao exterior a várias piscinas aqui das redondezas”, contextualiza Cláudia Esteves. “Tivemos que improvisar e montámos aqui uma piscina, onde eles têm desfrutado e feito atividades, quer sejam lúdicas, quer sejam mais orientadas. Mas eles adoram e faz-lhes muito bem”, acrescenta a diretora-técnica da APCG.

Tem sido assim também que os centros de atividades ocupacionais e lares residenciais do Alecrim e do Centro Social de Brito têm “combatido” as temperaturas altas em Guimarães. “Na dificuldade de irmos ao encontro do que estamos todos os anos habituados, este ano reunimos todas as condições na resposta social e fomos a banhos e comemos gelados”, lê-se numa publicação do Facebook da Santa Casa da Misericórdia de Guimarães que sublinha a alegria dos clientes do Alecrim pelo momento proporcionado.

Uma ida pontual à praia foi a primeira saída dos clientes do lar residencial e do CAO Alecrim a 15 de julho e teve um sabor especial depois de tantos meses circunscritos às paredes da instituição. Por sua vez, o tradicional piquenique dos utentes destas valências da Santa Casa da Misericórdia realizou-se a 31 de julho no Santuário da Nossa Senhora da Penha.

Também a APCG apostou numa saída à Penha, no domingo, 02 de agosto. “Num dia complicado porque realmente a gente sabe que já existem alguns turistas a circular. Portanto fomos logo pela manhã cedinho, pela fresquinha. Conseguiram ainda ver o Santuário, porque alguns são bastante ligados à questão religiosa”, descreve Cláudia Esteves.

“Recentemente fomos mais atrevidos, demos um passo mais longe e fomos ver a visualização do filme ‘Mamma Mia!’ no Drive in, no Multiusos. Foi uma surpresa muito grande porque foi de noite, já de si uma novidade e porque eles já não saíam daqui há quatro meses”, continua a contar a diretora-técnica da APCG. Houve direito até a pipocas, tendo esta atividade sido consertada com a organização que ajudou a preparar tudo. “Eles adoraram, portanto, foi um cinema à séria. Não foi Manel? Ele adorou, com música, o ‘Mamma Mia’ é um musical portanto dentro da lista de filmes se calhar era aquele que se enquadrava melhor com eles” diz.

A diretora-técnica da APCG refere ainda que as saídas ao exterior serão sempre de curta duração, “controlando os ambientes” para a equipa técnica ter a certeza que não se cruzam com outras pessoas e assim “tentar minimizar o risco”. “Tendo em conta que eles não podem sair para ir a casa e as visitas são quase que contadas ao minuto e com algumas questões de segurança, vidros em frente às famílias, acaba por ser um bocadinho complicado privá-los de algum contacto com outra coisa que não seja a casa, neste caso, a instituição”, termina.

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