Atores surdos dão vida a Zoo Story

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Atores surdos dão vida a Zoo Story

Encenado por Marco Paiva, Zoo Story é o mais recente espetáculo da Terra Amarela, interpretado pelos atores surdos Marta Sales e Tony Weaver. Esta coprodução com o Teatro Nacional Dona Maria II, a Oficina e o Centro Cultural Vila Flor, o Cineteatro Louletano, o Centro de Artes de Águeda e a Culturproject estreia em Guimarães nos dias 24 e 25 de fevereiro.

Esta peça de Edward Albee será integralmente interpretada em Língua Gestual Portuguesa e terá disponível também audiodescrição, legendas e a locução em Língua Portuguesa.

É desta forma que Marco Paiva pretende aprofundar o trabalho em torno da gestualidade e “perceber melhor como é que uma língua gestual transforma também o próprio objeto artístico que se está a construir”.

Marco Paiva desafiou Tiago Rodrigues, ainda na altura diretor do Teatro Nacional Dona Maria II, a produzir este espetáculo “nesta perspetiva de continuar a trabalhar em torno do que é que esta língua pode, por um lado, alterar as artes performativas, e por outro, também continuar a trabalhar uma temática” que para a Terra Amarela “é muito cara que é a questão da comunicação: como é que um objetivo artístico comunica e para quem.”.

“O Zoo Story é a história de duas pessoas que se encontram num determinado lugar, duas pessoas com histórias de vida muito distintas e aquele encontro obriga a uma tentativa de convergência a partir de algum ponto”, começa por explicar o produtor e mentor da Terra Amarela. “Este espetáculo é sobre esta viagem que estas duas pessoas fazem para se tentarem encontrar uma à outra.  Sendo o espetáculo em Língua Gestual Portuguesa ele convoca o espectador a encontrar o seu lugar para se relacionar com o próprio espetáculo”, acrescenta Marco Paiva.

O espetáculo tem uma componente visual grande, tem legendas, audiodescrição e narração e põe o espetador “neste sítio de ter que tomar uma decisão sobre a partir de que ponto de vista se relaciona com aquela proposta”. As legendas estarão presentes em cena num painel, a audiodescrição e a narração estarão disponíveis por auriculares. “Levantou-se uma questão quando começámos a trabalhar: por que razão é que nós não colocaríamos uma voz off em cena, portanto, audível para toda a plateia? A nós levantou-nos logo uma questão ética: se aqueles corpos não têm aquela voz porque razão é que nós vamos estar a colocar qualquer coisa que não faz parte da expressão daqueles artistas que ali estão? E por outro lado também por que razão é que a língua oral tem que ter sempre primazia no objeto artístico teatral em detrimento de uma língua não oral?”, questiona Marco Paiva

O Zoo Story desafia a ideia de que a história tem que estar sempre ancorada em qualquer coisa que é dita verbalmente. O trabalho da Terra Amarela tentou sempre partir da perceção de uma peça teatral enquanto relação que se pretende estabelecer entre o público com aquilo que ali está presente. “E aquilo que ali está presente não é só uma palavra que é dita, é um corpo, é um movimento,  é uma cenografia… E todos estes lugares da construção de um espetáculo têm uma dramaturgia, dialogam com a própria história e portanto acho que obriga o espectador a tomar decisões mas também a descobrir o que está para além daquilo que é óbvio. E isso parece muito interessante do ponto de vista de quem chega para assistir”, conclui Marco Paiva.

E é precisamente isso que se espera, que assista a este espetáculo único: Zoo Story, no pequeno auditório do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, no dia  24 de fevereiro, sexta-feira, às 21h30 e no sábado, dia 25 às 16h00.

Mais informações AQUI

Espetáculo “Zoo Story” | 24 de Fevereiro  às 21h30m e 25 de Fevereiro às 16h00 | Centro Cultural Vila Flôr, em Guimarães

Reconhecimento de palco: dia 24 pelas 20h30m e dia 25 pelas 15h00

Duração: 60 minutos

Este espetáculo é em Língua Gestual Portuguesa e será feita a audiodescrição e a locução de legendas em Língua Portuguesa.

Informações e Reservas: Tel (+351) 253 424 700 (chamada para a rede fixa nacional) ou E-mail geral@ccvf.pt

Morada do CCVF: Avenida D. Afonso Henriques, 701

4810-431 Guimarães, Portugal

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