Guimarães tem ao serviço dois Centros de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental

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Guimarães tem ao serviço dois Centros de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental

O Centro Juvenil S. José (CJSJ) e a Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Locais (ADCL) têm, desde o último trimestre do ano passado, um serviço de apoio especializado às famílias com crianças e jovens, vocacionado para a prevenção e reparação de situações de risco psicossocial mediante o desenvolvimento de competências parentais, pessoais e sociais das famílias.


Foi em outubro de 2018, que tanto o CJSJ como a ADCL assinaram os protocolos de cooperação com a Segurança Social, I.P. para darem início à atividade dos centros ainda em dezembro do ano passado.

Estes acordos preveem o acompanhamento de 160 famílias do concelho de Guimarães em três modalidades de funcionamento – a preservação familiar, a reunificação familiar e o ponto de encontro familiar.

Por problemas burocráticos aquando a candidatura o CAFAP da ADCL não contempla a modalidade Reunificação Familiar que prevê o regresso da criança a casa depois de retirada aos pais. Por sua vez, esta é uma modalidade muito importante “que complementa a casa de acolhimento do Centro Juvenil”. “Porque assim conseguimos trabalhar com as famílias dos jovens que estão acolhidos na instituição com vista ao retorno a casa”, salienta diretor executivo do CJSJ, Tiago Borges.

As outras duas modalidades, que ambas as entidades contemplam, são: a Preservação Familiar que previne a retirada da criança ou jovem do seu meio natural de vida e o Ponto de Encontro Familiar que, segundo a descrição do próprio serviço, “funciona como um espaço neutro e idóneo que visa a manutenção ou o restabelecimento dos vínculos familiares nos casos de interrupção grave da convivência familiar, designadamente em situações de conflito parental e de separação conjugal”.

Cada um dos CAFAPs tem uma equipa de intervenção composta por uma assistente social, uma psicóloga, uma educadora social e uma mediadora familiar. Esta resposta social criada pelo Instituto da Segurança Social, I.P. encontrou nestas duas instituições vimaranenses o acolhimento que precisava para dar resposta ao concelho de Guimarães. “Desde dezembro de 2018 quando abrimos portas e em quatro meses de atividade [entrevista realizada em abril] já temos em acompanhamento 52 famílias que tenham a cargo crianças e jovens em risco psicossocial”, revela a coordenadora técnica e assistente social do CAFAP do CJSJ, Carla Oliveira. “Neste momento temos 50 famílias desde dezembro, umas vão entrando outras vão saindo”, informa a coordenadora técnica do CAFAP da ADCL, Elisabete Ribeiro.

Embora, estes Centros de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental tenham poucos meses de atividade, também a ADCL assume um balanço positivo do funcionamento do CAFAP como prova de que faltava uma resposta social com estes contornos. “Ainda é muito recente, são poucos meses, mas rapidamente verificámos que em Guimarães realmente existem muitas famílias em situação de conflito ou na questão das competências parentais a precisar de intervenção porque nunca esperamos ter tanta gente em Ponto de Encontro Familiar como o que temos tido. Havia realmente uma necessidade desta resposta”, sublinha Elisabete Ribeiro.

Enquadramento do CAFAP no âmbito das medidas da Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo

O Centro Juvenil de S. José é uma entidade com 104 anos sempre dedicada ao acolhimento de jovens em situação de perigo e sempre se focou muito na intervenção direta com a criança ou jovem. Mas o diretor executivo do CJSJ, Tiago Borges, em entrevista ao Fórum Municipal, assume que, embora “a família nunca seja posta de parte”, esta resposta social veio complementar o trabalho desenvolvido por esta entidade.

O Centro Juvenil acolhe jovens de todo o país e sentia que estava a “falhar” com as famílias pela falta de proximidade e identificaram a necessidade de uma resposta para inverter esta situação. Encontramos o CAFAP que estava devidamente regulamentado, que já estava estruturado, tinha um modelo de funcionamento e em 2016 começamos o projeto de candidatura”, explica.

A Coordenadora Técnica e Assistente Social do CAFAP do CJSJ, Carla Oliveira, avança que muitos dos casos que acompanham são encaminhados por parte das escolas. “Por questões associadas ao absentismo escolar, à falta de supervisão parental, à falta de competências a nível doméstico, por exemplo, os miúdos não levarem lanche para a escola, não terem os livros escolares, existirem dificuldades de visão e os pais nem os óculos vão buscar mesmo estando pagos”, enumera.

Embora as próprias famílias possam dirigir-se ao CAFAP para conhecer os serviços e expor as respetivas situações e problemas, a coordenadora técnica e assistente social do CAFAP da ADCL, Elisabete Ribeiro, diz que “normalmente a família não tem esta consciência de que precisa de ajuda”. “Em alguns casos as famílias chegam ao CAFAP um bocadinho reativas, não percebem porque são chamados, também é um trabalho que temos que fazer, sensibilizá-los para a importância das competências parentais também serem trabalhadas”, conclui.

Mas Carla Oliveira do CAFAP do CJSJ realça que o trabalho realizado junto da família é “sempre num contexto de colaboração”. “Ou seja, não vamos impor nada à família, é mais numa perspetiva de aconselhamento e de mudança positiva da família”, refere a assistente social.

“Nós não somos a Comissão [de Proteção de Crianças e Jovens], nós não somos o Tribunal de Família e Menores, nós complementámos em certa parte a intervenção que é feita, mas também podemos intervir em processos que não tenham este acompanhamento”, esclarece Tiago Borges do CJSJ.

O diretor executivo explicou o enquadramento destes Centros de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental (CAFAP) no âmbito das medidas da Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo. “A grande parte dessas medidas são junto do meio natural de vida, desde logo o apoio junto dos pais, junto de outro familiar, apoio junto de pessoa idónea e depois tem um pequeno leque de medidas de colocação – famílias de acolhimento, casas de acolhimento e adoção”, começa por enumerar.

Ou seja, antes do jovem ser retirado do meio natural de vida são tentadas todas as outras alternativas junto do meio natural. “Só em última instância, só quando os acordos junto da família são quebrados ou incumpridos é que se aplica uma medida mais severa”, explica.

Tiago Borges defende este modelo de trabalho “porque uma separação é sempre uma separação e tem sempre impacto junto destas crianças e destas famílias”. “Muitas das vezes os jovens sentem-se penalizados e castigados ao serem retirados de casa quando na verdade muitas das vezes a culpa não é deles”, admite o diretor executivo do CJSJ.

A esta instituição, mais conhecida por Oficinas de S. José, chegam “os fins de linha”, ou seja, os casos em que já foram tentadas todas as outras alternativas ao longo de vários anos. “Por isso é que justifica a entrada tardia na nossa casa de acolhimento. A nossa média de idades, neste momento ronda os 16, 17 anos”, conclui Tiago Borges.

 

Quais as atividades desenvolvidas no CAFAP?

Acompanhamento Psicossocial
Acompanhamento Domiciliário
Integração da família em redes de apoio social
Capacitação Pessoal e Social
Ações de Sensibilização
Treino de Competências (pais – filhos)
Ações de formação parental (individual ou em grupo)
Grupos de Auto-Ajuda
Participação em atividades de formação, culturais e de lazer
Terapia Familiar
Mediação dos conflitos familiares
Encontros Familiares
Supervisionamento em Regime de Visitas (RGPTC)

Contactos:

CJSJ – Centro Juvenil S. José
Rua D. Domingos da Silva Gonçalves, 4810-439 | Guimarães
Telefone: 253 416 316
Email: cafap@cjsj.pt

ADCL – Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Locais
Loteamento de Santo André, Fração C, 4835-103 Creixomil | Guimarães
Telefone: 253 408 533
Email: cafap@adcl.org.pt

Sobre o autor

Fórum editor

O Fórum Municipal das Pessoas com Deficiência é um órgão informal de debate, de consulta e informação que funciona com o apoio da Divisão da Ação Social da Câmara Municipal de Guimarães e que, em 2018, completa 15 anos de existência. Composto por representantes de associações e instituições públicas e privadas, pessoas com deficiência e respetivos representantes o Fórum assume como principais funções a promoção e organização de debates temáticos e de ações e projetos de interesse para as pessoas com deficiência, assim como a apresentação de propostas e sugestões dirigidas a este público. Podem fazer parte do Fórum associações e instituições públicas e privadas, com personalidade jurídica, pessoas com deficiência e seus representantes. Os membros devem ser registados.

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